A Beleza das coisas não vistas

A Beleza das coisas não vistas

A woman carries decorated human skull or "natitas", as she waits to be greeted by the priest inside the Cementerio General chapel, during the Natitas Festival celebrations, in La Paz, Bolivia, Sunday, Nov. 8, 2015. Although some natitas have been handed down through generations, many are from unnamed, abandoned graves that are cared for and decorated by faithful. They use them as amulets believing they serve as protection. The tradition marks the end of the Catholic All Saints holiday, but is not recognized by the Catholic church. (AP Photo/Juan Karita) ORG XMIT: XJK109

(Um dos crânios humanos do festival das Natitas, Bolívia) (1)

O estigma da desilusão
Confirma sua própria ilusão
E depois de tudo esse pode ser você.
(2)

Boa noite aos leitores da Nona Direção! Hoje vamos falar sobre beleza! Não, não será apenas sobre a beleza convencional ou padrão de nossa sociedade. Iremos falar da beleza que cerca a bruxaria e das formas esquecidas e ignoradas pelas pequenas mentes que cismam em  permanecer em nosso meio.

Esta é uma postagem muito simples, mas que para muitos pode ser complicada de entender. Aqueles que entendem ou sintam a poesia da linguagem dos Deuses, dos espíritos e entidades de nosso mundo, saberão exatamente do que estarei falando em algumas partes. Afinal, a poesia em si é a linguagem dos Deuses, como o vinho que faz as pedras falarem.

Todos nós temos gostos diferentes e desejos por estéticas distintas. Muitas coisas são reconhecidamente como uma beleza comum, onde a maioria concorda que seja algo belo. Tudo bem, mas e na bruxaria? quando falamos de beleza, o que realmente podemos ter em mente?
Oras, TUDO!
A existência em si é de uma beleza única. Atemporal e sem espaço. Inexistente ao mesmo tempo e que está em todas as coisas. Até aqui tudo bem, mas é aí que entramos em uma outra área mais obscura para a maioria, assim como repulsiva ou até mesmo terrível para a maioria das pessoas: É aqui que nós devemos entender a natureza dos Deuses, do mundo, da NOSSA.

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Enxergando através do Véu

Enxergando através do Véu

Enxergando atravé do Véu 1

“Flechas do sol vão penetrar a mente humana
Sophia nasce quando capturamos uma delas
Flechas do sol, elas queimam a alma e nos fazem ver
Bem fundo no labirinto: a psique, a alma”
(1)

Existem algumas concepções de que a realidade não é aquilo que parece ser. Uma dessas ideias consiste em que temos o habito de crer apenas naquilo em que nossos olhos são capazes de contemplar. Outros ainda, dizem que é aquilo que pode ser sentido e administrado pelos cinco sentidos básicos. Então, após inúmeras divagações e experiências, poderíamos citar exemplos básicos que destruiriam tal noção do que é convencionalmente chamado de ‘realidade’, como por exemplo, sonhos. Sim, sonhos. A reflexão começa a ocorrer quando dependemos do cérebro, que é algo físico, mutável, deteriorável, portanto, limitado e falho. Não estou falando da mente em si, pois a mente é como se fosse uma entidade acima de sua parte física, o cérebro.
Nosso cérebro é capaz de criar realidades através de sonhos, visões e até mesmo em antecipações ou num extremo, ele cria sua própria realidade, como acontece com aqueles que carregam alguma doença psíquica.

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A Arte da Bruxaria

A Arte da Bruxaria

A Arte da Bruxaria 1

“Uma luz negra, As almas perdidas estão suplicando
Agarrando-se ao último vislumbre de esperança”
(1)

Muitos são os sinais que levam ao Caminho. Muitos são os elementos identificados naqueles que praticam a Arte sem nome, mesmo que cada praticante seja completamente diferente, ainda assim há alguma similaridade em algum ponto de suas práticas.

Embora as diferenças entre praticantes da Arte Sábia do mundo inteiro sejam inúmeras em seus aspectos, sempre são achadas similaridades, mesmo que apenas conceitual.

É imperativo deixar claro neste Grimório da Arte sem nome, que quando falamos de ‘Bruxaria’, estamos falando da verdadeira Arte, a Inominável, dos mistérios que não dependem exclusivamente de algum Deus ou de algum grupo ou religião, principalmente grupos modernos e infantis e de pessoas que se apropriam de tais alcunhas como se fossem ‘títulos’, como se tal palavra resumisse um estereótipo de suas fantasias diárias ou contasse sobre algum conjunto de crenças em específico, que os mesmos insistem em achar que pode ser comparada ou ainda servir de exemplo para outras denominações. Não, quando falamos de bruxaria, da Arte dos Sábios, da Arte inominável, estamos falando de práticas realmente antigas e ao mesmo tempo contemporâneas. Ao paradoxo que isso possa significar, primeiramente é não confundir com o que vemos nos dias de hoje como “modernos” e “reconstrucionistas”. Não, essas pessoas apenas adaptam ao próprio conforto uma jornada que em primeiro lugar depende de que você saia de sua própria “zona de conforto” e se exponha ao perigo da real jornada. Continuar lendo

Oração aos Antepassados – Uma Invocação Luciferiana da Nona Direção

Oração aos Antepassados – Uma Invocação Luciferiana da Nona Direção

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(Tubalo Lucifer por Andrew Chumbley)

“Por tudo o que é valioso,
O sangue em minhas mãos:
É o sangue de divindades”
(1)

 

Quando teu sangue sussurrar ao teu ouvido, com uma voz que te lembrará do som do rastejar de uma serpente;

Quando o vento lhe trouxer tais sussurros como se os trouxesse do Abismo;

Quando sentires que esse Abismo, seja qual for tua máscara, reside em teu sangue e espírito pelo antigo pacto;

Quando aceitares a ideia de que o teu sangue é o mesmo dos Deuses Antigos e das forças caóticas e primitivas anteriores aos mesmos;

E finalmente, quando for capaz de sentir, sem precisar emitir palavra alguma, que o silêncio e o poder, assim como tua maldição e tua sabedoria, são tua herança e tua Marca na linhagem de Qayin e dos Anjos Caídos;

Será o dia em que teu mundo irá ruir e, teu entendimento, mesmo trazendo a sua vista todas as mentiras, lhe trará a visão da face da Luz, das Trevas e dos Caminhos.

Será quando entenderá tua origem e teus mistérios. Continuar lendo

A Natureza inconcebível de Lilith

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“Elixir do Ventre,
Obscura fonte dos Caídos,
Com estas águas
Eu esta poção fermento:
Fonte escura das veias de Elphame,
Sangue dos Anjos recém-assassinados,
E Néctar da escuridão de Morpheus feito,
Das malditas Flores das Sombras.”
(1)

Muito já fora escrito sobre a Rainha do Sangue, principalmente sobre alguns dos sincretismos de suas origens e também das advertências de se chamar o seu nome esperando algum tipo de “Deusa mãe” que vai lhe acolher abaixo de suas asas. A ideia desta postagem é tentar esclarecer algumas ideias sobre tal figura, realmente importante tanto na Bruxaria quanto em inúmeras vertentes, crenças e sistemas.

Longe de se tratar de verdades absolutas ou indicando o que seja certo ou errado, a pretensão deste texto é a de escrever e descrever um pouco sobre algumas visões e trabalhos que envolvam o seu nome e seus terríveis poderes. Sim, “terrível” é algo que se encaixa quando tratamos da ‘Mãe do Sangue’, concebida e comparada sob inúmeros aspectos com atributos de várias outras divindades e, ao mesmo tempo não sendo nenhuma delas em específico, Lilith é uma gama de poderes incontroláveis, cruéis, implacáveis e costuma mexer com nossos piores medos e temores, trazendo a tona traumas e seduções que fazem muitos se perderem em meio aos piores sofrimentos e os prazeres mais intensos, sem nem mesmo conseguir diferenciar quando é que muda de um para o outro. Continuar lendo

Conceitos Draconianos: influências culturais e ligações com a Bruxaria

“Eu me tornei um irmão para os Dragões, e um companheiro para as Corujas”. (1)

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(Pintura de William Blake)

Incontável é o número de histórias que ouvimos falar sobre esses seres de imenso poder e imponência. Inúmeras são suas formas e seus poderes, sempre temidos e fascinantes. Assim sempre foi e sempre será a figura do Dragão, seja como símbolo, como criatura, como Deuses ou Demônios: os Dragões estão vivos em inúmeros planos de existência e de manifestações: Imaginários, religiosos, físicos e simbólicos. Portanto, a proposta deste texto é tentar mostrar um pouco mais sobre tais criaturas, baseando-se em variados povos e culturas, de épocas diferentes e inclusive no que ainda existe tanto nas religiões mais novas quanto na crença e na fé de outros grupos, bem como a importância de sua figura e de seu imenso poder que nos remete á verdadeira Sabedoria, finalizando com sua ligação extremamente importante na Magia e na Bruxaria em si. Continuar lendo

Bruxaria, Bíblia e sincretismo religioso – Parte 2: Bruxaria e Cristianismo

Para entender melhor este texto, aconselho ler a Parte 1: A origem do deus do Velho Testamento.

 

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(Sigilo de Caim, por Michael Howard)

Esta é a segunda e última parte da postagem (que infelizmente demorou a sair devido aos meus projetos pessoais de mais urgência) e que buscarei tentar não me alongar em demasia, visto que o assunto é extenso e requer, acima de tudo, leitores que não vivem sob a sombra do temor de crenças alheias, muito menos dos que ainda se sentem mal quando ouvem algumas palavras e possuem certos tabus advindos da própria criação e/ou traumas religiosos e sociais.

O Caminho que tomaremos neste texto é variado, embora seja sobre o mesmo assunto, futuramente servindo como uma bússola para se aprofundar em outros que estarão nesta postagem…ou não.

O que muitas pessoas ignoram quando tratamos de Bruxaria é que a mesma é tão vasta e tão antiga, que não existe barreiras ou dogmas, regras ou moral, ética ou lei que possa definir, limitar, controlar ou julgar a Ate em si.

As ideias de Murray quanto a Bruxaria ser a “Antiga Religião” contradiz não só as evidências históricas, sociais e culturais (como se fosse pouco rs), mas também a crença e a fé de diversos autores, clãs e bruxos espalhados pelo mundo. Não, eu não somente foco uma suposta “teoria” baseada em um autor ou um segmento de bruxaria. Não, não me baseio apenas nas experiências alheias e muito menos no que aprendo pela internet ou repito o que outros me disseram: aquilo que eu faço é buscar. Infelizmente, a esmagadora maioria dos ditos “pagãos” não buscam nada além de sua própria zona de conforto. Aceitam aquilo que lhe ensinaram ou aquele pouco que aprenderam e tentam defender isso com unhas e dentes, sem contestar e dando desculpas para suas faltas de conhecimento e esforço. Continuar lendo