O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

“É difícil marcar o lugar onde para o homem e começa o animal,
onde cessa a alma e começa o instinto
-onde a paixão se torna ferocidade.
É difícil marcar onde deve parar o galope do sangue nas artérias,
e a violência da dor no crânio.”
(1)

Quantas vezes não ouvimos relatos, videos e declarações de feitos mágicos que chegam a saltar os olhos? Quantos desses relatos nos lembram livros e filmes de fantasia e do quão heroico ou até mesmo harmônico tais relatos nos deixam boquiabertos?

Várias pessoas conversando com Deuses como se fossem seu vizinho da esquina; lutando contra entidades sinistras ou demoníacas como se fossem verdadeiros e poderosos guerreiros mágicos (ou algo assim); ou ainda falando com dragões e inúmeras criaturas como se fossem seu animal de estimação? Realizando teletransportes?

Pois é… a maioria dessas pessoas provavelmente ficariam paralisadas de terror se uma pessoa morta aparecesse na frente delas durante a noite, na escuridão do corredor pelo qual atravessam para ir ao quarto.

Neste texto iremos abordar sobre o medo natural e instintivo o qual estamos sujeitos e algumas possíveis formas de se trabalhar para podermos trilhar nossa caminhada sem sermos escravos desses mesmos medos.

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Bruxaria: A Arte do Limiar

Bruxaria: A Arte do Limiar


(crédito da imagem de Loren Morris, do site Primitive Witchery. Ela também está no Etsy)

“Então o Pajé da tribo se aproximou da jovem Nheambiú e disse:
– Cuimbaé, seu grande amor, acaba de ser morto”. E a jovem moça
estremeceu, soltando gritos de lamento. Todos os presentes foram
transformados em árvores secas; a desolada jovem Nheambiú, foi
transformada em um Urutau, pousando pelas árvores secas,
chorando eternamente a perda de seu grande amor”.
(1)

 

          Não há como falarmos em bruxaria sem falar de inúmeras culturas e povos. Existem alguns nichos que defendem a bruxaria como uma espécie de “velha religião”, definindo suas práticas e as práticas alheias nos moldes de seus próprios parâmetros, como os adeptos das religiões neopagões que surgiram no último século (2). Não somente isso, analisando as últimas duas décadas, conseguimos ver um verdadeiro alvoroço quanto ao que deveria ser ou não a bruxaria. Inúmeros grupos e pessoas digladiando-se para provar sua legitimidade ou a legitimidade de suas práticas. Tantas brigas e confusões espalhadas por inúmeros lugares, sendo hoje em dia, a rede virtual abarrotada dessas brigas e cartilhas.

            A influência que os grupos neopagões tiveram, são apenas superficiais e apenas alcança meios em que as pessoas acabam por comprar suas ideias de “religião”, a fim de complementar seu Caminho, como se uma religião fosse exatamente aquilo que precisassem, justificando, dessa forma, que aquilo que fora encontrado é uma fórmula que servirá para todas as outras pessoas. Caso não sirva, deverá servir, afinal, essa pessoa não poderia (ou não conseguiria) enxergar que existiria outro caminho. Aqui encontramos os problemas clássicos de pessoas submissas, onde saem de uma igreja para tentar um Caminho mais livre e acabam por se cercar das mesmas amarras que tinham anteriormente, isso sem citar nas suas dependências ou vazios emocionais, precisando ter uma figura paterna (ou no caso, materna) que te trata da mesma forma que o Jesus da igreja: ele te ama acima de tudo e te perdoa por tudo que fizer. Bem, essa necessidade de fazer da bruxaria em si uma religião é apenas um ato desesperado de ter em mãos algo que não fuja dos próprios conceitos, dependências e amarras; é ter que continuar no mesmo lugar com uma roupagem diferente e, admitir que isso não seria “a verdade”, seria admitir que não se está num local diferente do anterior. Sim, é uma contradição bem óbvia, mas não cabe a nós discuti-la num nível mais profundo: deixemos isso para os psicólogos e psiquiatras.

            Em todas as sociedades e em todos os períodos existiram pessoas que fossem contra as leis e proibições de cunho religioso e social. Aprendemos desde pequenos que as leis são corretas e que todos devemos segui-la. Aprendemos que qualquer coisa que quebre essas leis é considerada muito errado e somos doutrinados a nos sentir mal quando fazemos algo que a maioria considere ‘ruim’, ‘errado’ ou ‘mau’. As doutrinações ocorrem em níveis diferentes desde que nascemos, sendo infelizmente o doutrinamento moral/religioso nos nossos dias uma imposição cristã. Cada sociedade possui suas formas de doutrinamento e é aí que entra a bruxa.

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Considerações pessoais aos iniciantes na Bruxaria

Considerações pessoais aos iniciantes na Bruxaria

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Por debaixo da máscara na qual você se enterrou
É preto como carvão.
Eu estou cansado de engolir o que você faz
Cada dia uma face nova
E se eu desparafusar
Sua própria identidade
Você não se perguntaria se iria restar algo de você?
(1)

Decidi escrever este texto de forma espontânea. Não preparei materiais especiais e nem tampouco várias referências para usar como base. Não, este texto será espontâneo e irá refletir minhas considerações para aqueles que começaram a andar ha pouco tempo no Caminho e para aqueles que desejam começar a andar de alguma forma. Talvez o texto sirva para aqueles que já possuem uma boa caminhada, afinal, algumas experiências pessoais podem trazer algumas reflexões a cada um de nós e acabar por nos presentear com uma pequena fagulha que, se em contato com algo inflamável, poderá acender uma chama crescente, como o sopro do Grande Dragão. Continuar lendo

O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

2 (15)

“Eu sou uma pedra caindo num mundo de vidro
Eu sou uma bomba acionada com uma máscara sorridente.”
(1)

 

A Primeira dúvida de um leigo ao se deparar com algum assunto relativo a magia é a de se perguntar se os praticantes daquele determinado segmento possuem ‘poderes mágicos’ e ‘o que essas pessoas são capazes de fazer’. Esse sentimento de dúvida traz à tona medos primitivos não somente do indivíduo, mas uma carga que vem sido transferida desde os primórdios da humanidade: o Medo do Desconhecido.

Tal medo reside em todas as pessoas, de uma forma ou de outra, e costuma ser expressado por inúmeros fatores, principalmente nas profundezas de seu próprio ser; visto que muitas atitudes são tomadas por alguma consequência de nossas vivências sem nem mesmo serem percebidas conscientemente por nós mesmos.

Muitos desses medos fazem parte do instinto de sobrevivência animal, pois mesmo que seja negado pela maioria da população, nós também somos animais e fazemos parte do Todo.

A ideia de ‘Poderes Mágicos’ dá-se ao fato de que sempre existiram pessoas com conhecimentos além do que a do homem preguiçoso comum, que nada sabe, a não ser aquilo que lhe é dado e que o mesmo recebe sem nem mesmo contestar ou tentar averiguar a própria origem. Continuar lendo