Um pouco sobre Runas: – Parte 3: Enigmas, significados e interpretação

Um pouco sobre Runas:  – Parte 3: Enigmas, significados e interpretação

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Ele rugiu como os ursos rugem:
“Pedras para os mais robustos,
O quais as lanças não irão morder,
Nem os fios do aço,
Estes filhos de Jonakr!’
(1)

Tudo na existência pode ser vista de pontos de vista diferentes. Poderíamos pedir para pessoas diferentes descreverem situações iguais e cada um delas dariam impressões diferentes, mesmo que pudessem ser similares. Cada pessoa possui uma visão e cada entendimento difere uma das outras. Não se trata, de fato, de qual impressão pudesse estar certa ou errada, pois tal coisa não existe. Todas as descrições existem e todas podem ser somadas e comparadas para se ter um numero maior de informações. Apenas somando inúmeros pontos de vistas é que podemos ter, cada vez mais, um conhecimento e uma compreensão mais abrangente sobre qualquer coisa na vida. E é exatamente nesse ponto que começaremos este texto.

Para a Arte das Runas é necessário que a visão do Erilaz seja sempre abrangente e não limitada a apenas uma mera interpretação ou fechada para apenas aquilo que o mesmo aprendera. Seu conhecimento é importante, mas deve-se entender que conhecimento nunca é subtraído, apenas somado ou até mesmo multiplicado.

É uma forma de ver o mundo no plural, sem ser fechado a uma mera visão. Para se usar as runas como oráculo, esse é o básico para se caminhar nos seus próprios horizontes.

Assim como os Bardos ingleses e os Skalds(2) da Escandinávia faziam uso dessa sabedoria para descrever inúmeros elementos, assim também o era nas Eddas(3), desde seres de outros mundos até aos Deuses; todos usavam de enigmas e poesia para descrever pessoas, lugares ou feitos.

Talvez a mais importante para ilustrarmos a importância de tal sabedoria antiga, seria o Alvismál(4), onde o Anão(5) Alvis(6) vai até a morada de Thor, na tentativa de se casar com Thrud, uma de suas filhas. Ele se recusa, mas visto a insistência do Anão e sabendo que os anões possuem muito conhecimento e que gostam de se gabar pelo mesmo, Thor resolveu perguntar ao Anão como são chamadas as 13 coisas mais significantes na existência e de como essas coisas eram chamadas pelos quatro principais pontos de vista, sendo o dos Humanos, Deuses, Gigantes e do conhecimento dos Elfos(7)e dos anões. Humanos dão nomes literais para as coisas; os Deuses descrevem como as coisas funcionam e são na concepção divina; os Gigantes veem o mundo em termos de recursos naturais, enquanto os anões e os elfos possuem uma visão mais poética. Muitas vezes são citados como as coisas são vistas em Hel(8) ou ainda pelos Aesir(9) e Vanir(10). Cada qual com uma visão e descrição diferente.

“Árvore” é chamada pelos humanos de “árvore”; pelos Deuses são chamadas de “O abrigo dos campos”; os Jötnar a chamam de “combustível”; enquanto os anões e elfos chamam de “ramo formoso, o adorno das colinas”.

Da mesma forma, temos a Lua como “avermelhada” para os Deuses, “Roda giratória” para o Reino de Hel, “veloz” para os Jötnar, “brilhante” para os anões e “contador dos meses” para os elfos.

Para terra nós temos “campo” para os Aesir, “caminho” para os Vanir, “esverdeada” para os Jötnar, “fértil” para os elfos e “argila” para os Deuses.

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O conto continua até o amanhecer e o Anão ser transformado em pedra pela luz do sol(11).

Assim como tais enigmas e visões, as Runas funcionam da mesma forma, através das correspondências entre coisas diferentes.

Elas representam coisas muito simples, mas que podem possuir inúmeras possibilidades e visões sobre cada perspectiva existente de um mesmo símbolo, o que pode (e deve!) nos levar a significados mais profundos sobre suas interpretações.

Como as Runas lidam com poderes de outros mundos, suas respostas quando jogadas como oráculo, podem vir como enigmas ou até mesmo charadas. Deve o Erilaz conhecer o sentido de cada Runa, tentando sempre ‘enxergar além’, ”além de si mesmo”.

Para aqueles que já possuem alguma prática com oráculos, entendem que além dos oráculos poderem responder indiretamente, ainda há o fato de que apenas é possível acessar o poder dos mesmos através da pessoa em si: As pedras são como guias para que o Erilaz possa alcançar o vislumbre e as informações para responder as perguntas do jogo.

O Mistério das Runas começa a partir de seu próprio nome: Runa. A etimologia da palavra, embora não seja certa e única, está sempre envolta em Mistério, que aliás, é a palavra que se estende em inúmeros idiomas e nações, sendo a raiz indo-europeia “ru”, que significa “algo misterioso ou secreto”; a palavra do germânico antigo “runa”, que significa “sussurro”, pode ter sido usada para se referir a “aquele que sabe”, “mulher sábia” ou “homem de conhecimento”. Palavras como ”runas” existem em outros idiomas antigos do norte da Europa, que estão ligadas a “sussurro” ou “segredo/mistério”, como a palavra “run” no Nórdico Antigo, que significa “mistério” ou “segredo”. Temos palavras similares, como “Rhin e Rún” do Galês e do Irlandês antigo. Na Alemanha moderna, a palavra “raunen” também possui conexão com mistérios e segredos; no dialeto escocês temos “roun”, que significa sussurrar ou “falar muito e apenas sobre uma coisa”. Os administradores Anglo Saxões chamavam suas discussões de “runes”, onde as runas eram usadas para tomar decisões mais difíceis.

As Runas representam inúmeros mistérios e tudo a sua volta sempre está conectado. Desde a forma em que foram achadas pelo Deus Odin, seus usos nas Eddas e tudo aquilo que possam representar, prever ou influenciar, seja na apresentação ou ‘set(12)’ em que estejam presentes, pois apenas podem acessar seus poderes aqueles que entendem dos seus mistérios e da dimensão que isso representa; e tal como entender o universo não é uma tarefa simples (e muitas vezes nem mesmo possível em apenas uma vida), assim também o é com este legado deixado para nós pelo sacrifício do Deus Odin na Yggdrasil.

Significado das Runas

Abaixo, irei Listar o significado das 24 Runas do Elder Futhark, mais as 5 Runas da Frísia/Anglo-Saxã, mais as 4 Runas do Set da Northumbria. Irei usar a ordem do Set da Northumbria, com suas 33 Runas divididas em 4 Aettyr mais a Runa Gar. A única diferença é que no Elder Futhark a Runa Ansuz fica após a runa Thurizas e no Futhork ela é dividida em Os e Aesc e a primeira fica no lugar de Ansuz, após Thurisaz; a Runa Aesc vai para o quarto Aett, após a Runa Ac, mantendo a mesma forma que Ansuz e o mesmo som.

Todo o grupo será explicado a seguir, Runa por Runa, em sua sequência, usando a ordem do Futhork de Northumbria, Aett por Aett, até que todos os Aettyr estejam completos:

Aett de Freyr e Freyja

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1 – Fehu

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Fehu é a primeira runa e seu som é o “F”. Como a primeira runa do primeiro Aett, ela representa inícios. Ela significa literalmente “gado”. Nas histórias nórdicas, Audhumla, a vaca primordial, no amanhecer da existência, lambeu o bloco de sal de onde surgiu Buri, pai de Borr e Avô de Odin.
No nível terreno, Fehu significa riqueza, mas a riqueza no sentido financeiro e de bens materiais: para as pessoas comuns da Europa Antiga, a riqueza ou situação financeira de alguém era medida por cabeças de gado. Nos dias modernos, Fehu simboliza dinheiro e crédito. No princípio Fehu era o poder que necessitávamos para conseguir dinheiro mundano, e para mantê-lo, fazendo-a uma Runa de poder e controle. Entretanto, riqueza traz responsabilidades, como é dito no poema norueguês “Riqueza causa atrito nas relações, enquanto o lobo espreita na floresta”. Ter riqueza pode levar a ganância e a inveja, a qual divide a sociedade. Fehu é uma das poucas Runas que continuam presentes no idioma inglês, na palavra “Fee”, significando um pagamento.

Fehu nos conta sobre as riquezas móveis: das que se ganha, mas também se perde, portanto, embora seja uma Runa que fale sobre bens materiais financeiros, ela é móvel.

2 – Uruz

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A Segunda Runa é Uruz e o seu som é ”U”. Esta Runa representa o extinto e poderoso boi selvagem, o Aroque, o qual era temido e admirado pela sua resistência, coragem, força e pelos seus longos, curvados afiados chifres. “O auroque é corajoso, com chifres subindo as alturas, um feroz lutador de chifres que deixa suas marcas através das charnecas, uma besta impressionante!”
A forma da runa representa os chifres do auroque. Infelizmente, o animal está extinto. No Reino Unido ele foi exterminado nos anos de 1.200s, e os últimos auroques foram alvejados na Polônia em 1627. Simbolicamente, Uruz significa o poder indomável do boi primal, o poder inconquistável do universo. Acima de todas as outras, Uruz é a runa da força interior, resistência e perseverança. Ela também é uma Runa de cura, entretanto, esse tipo de poder nunca pode ser usado de forma egoísta, nunca sendo propriedade ou controlado por um único indivíduo para seu único benefício. A Influência de Uruz pode trazer sucesso pessoal, mas nunca as custas dos outros.

Uruz também nos conta sobre a coragem e sobre trabalho árduo, mas normalmente seguido de sucesso. Seus atributos sempre giram em torno de força, perseverança, vigor e resiliência; assim como em alguns casos pode significar cura através de descanso ou até mesmo de trabalho, lembrando que nunca de forma egoísta.

3 – Thurisaz

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A terceira Runa é Thurisaz e seu som é ”TH”. Nesse forma, Thurisaz ainda é parte do alfabeto da Islândia. Thurisaz é protetivo. Na forma de um espinho, ele significa a resistência na forma dos espinhos das árvores e das plantas (Neste caso como as árvores caracterizadas como “thorntrees” ou “árvores de espinhos”), e a resistência massiva dos Gigantes da terra conhecidos como Thurses ou Moldthurs. Espinhos protegem as plantas nas quais elas nascem, mas fazem isso de forma passiva, detendo atacantes. De forma similar, A runa Thurisaz canaliza poderes defensivos, e isso pode produzir mudanças súbitas sem avisos. Isso é a força intencional do princípio gerador, a energia masculina criativa em ação. Usando-a de forma efetiva, pode significar alterar o caminho que as coisas estão tomando. Dependendo de como será usada, Thurisaz pode representar defesaou ataque contra adversários. A árvore de Thurisaz é o Espinheiro-negro (Prunus spinosa), a árvore de Maio ou Espinheiro-alvar (Crataegus monogyna) e a Amora (Rubus fruticosa).

4 – Os

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No Elder Futhark seria a runa Ansuz, mas quando os Anglo-saxões estenderam as runas para mais um Aett, Ansuz foi posta na vigésima sexta posição e foi chamada de Aesc; então foi colocado Os em seu lugar, como som de “O”. Entretanto, ainda há uma estreita conexão entre Aesc (Ansuz) e Os. Os significa “boca” e, por extensão, fala, música e linguagem. Como Aesc, Os é uma Runa-Deus, pertencendo ao Deus Odin em seu aspecto de mestre da comunicação através da linguagem e da escrita. Os denota o poder criativo da palavra e consequentemente da sabedoria em si. Falar é a habilidade fundamental que permite a cultura humana de existir. Todo o conhecimento tradicional, história e identidade cultural é expressada na poesia, musica, sagas orais e literatura escrita. De forma geral, Os quer dizer informação em cada significado da palavra. A Runa Os é mais poderosa quando é chamada ou cantada repetidamente durante meditações, no qual é chamado de Galdr, ou encantamento rúnico, o qual é dito trazer os poderes do sopro cósmico para si.

5 – Raidho

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A quinta runa é chamada de Raidho ou Raed e seu som é “R”. Literalmente, ela representa a roda e o movimento que a roda permite. Figuradamente, ela significa o “veículo” que usamos para atingir um objetivo. Mas como um veículo com rodas não pode ser usado sem uma estrada para poder correr, Raidho também representa a estrada ou o processo em si. Raidho é ambos o caminho adiante e os meios para se chegar lá. Raidho é a runa dos rituais e cerimonias, eventos feitos de forma pre-organizados de acordo com princípios e planos. Raidho nos permite canalizar nossas energias de forma efetiva. Esta Runa ajuda o espírito, a matéria ou informação serem movidas ou fluídas de um lugar para o outro, e então, produzir resultados desejáveis. Os significados conectados de Raidho são “uma invasão” e também “música”. Embora sejam bem diferentes um do outro, eles possuem em comum que para executar qualquer um dos dois é necessário dedicação e planejamento. Todas as circunstâncias, ambas dentro ou fora de nós, devem estar certas. Para se ter total vantagem em Raidho, nós precisamos estar no lugar certo e na hora certa e fazendo a coisa certa. Para isso é preciso consciência desperta e visão.

6 – Kenaz

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A sexta Runa é Kenaz, a runa do conhecimento, como no dialeto britânico do norte com a palavra “ken”. Seu som é “K”. Literalmente, Kenaz denota um galho flamejante, um pedaço  de pinho com resinas que em tempos anteriores trazia a luz. O poema anglo-saxão descreve como “A tocha é o fogo vivo, brilhante e radiante. Mais frequentemente, ele queima quando as nobres pessoas estão descansando em suas casas.” Por Kenaz nos dar luz na escuridão que nos cerca, ele igualmente, num nível simbólico, traz a luz interior do conhecimento. Kenaz é uma runa de ensino e aprendizado, dando poder a todas as ações positivas. Ela pode ser escrita de muitas formas diferentes. A forma mais comum é a que aparece acima, mas podem variar. Como o fogo do  coração, esta runa representa o poder da forja na qual o material é transformado através da habilidade do ferreiro em algo novo e útil, como materiais brutos e desordenados que são arrumados e ordenados pela consciência humana. Kenaz pode ser usada em meditações pessoais de iluminação.

7 – Gebo

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A sétima runa é Gebo. Seu som é o “G”. Na sua forma de “X” como ‘sagrada marca’, é a runa que conecta homem sou Deuses. “Presente/dádiva…é um ornamento que mostra valor,” o poema Anglo-saxão nos conta “isto é substancial e honorável”. Literalmente, Gebo é um presente que traz sobre conexões entre pessoas por trocas. Isso simboliza unidade entre o doador e a pessoa para a qual é dado o presente, criando um estado de equilíbrio e harmonia. Gebo é personificado pela Deusa nórdica Gefn, “A Caridosa doadora”. Isso nos da o poder de nos conectar com outras pessoas, ajudando futuramente uma causa comum ou uma parceria nos negócios. Quando pessoas iletradas “assinavam” algum documento que os prendia a algum destino ou contrato, elas usavam a runa Gebo para fazer sua marca, significando um presente de uma pessoa para outra. Gebo também conecta o mundos dos humanos ao mundo dos Deuses. No trabalho rúnico, nós devemos marcar os dois traços cruzados de Gebo apenas quando compreendemos todo o significado de presentear. Em outros tempos, nós poderíamos usar uma combinação de dois traçados, > and <. Quando estes são escritos horizontalmente, eles representam uma conexão entre duas pessoas de bases iguais. Mas quando são escritas uma sobre a outra, esses traçados simbolizam uma conexão entre humanos e outros poderes, mesmo acima em Asgard, ou abaixo, em Utgard.

8 – Wunjo

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A oitava e última runa do primeiro Aett é Wunjo. Seu som é ”W”. A forma de Wunjo representa um tipo de cata vento, como aqueles usados nos navios vikings, templos pagãos e igrejas na Escandinávia. Nenhum Templo escandinavo sobreviveu, mas as igrejas eram reconstruídas usando as mesmas bases. Wunjo significa alegria, o elusivo estado de harmonia num mundo caótico. Alegria pode ser encontrada quando se está em equilíbrio com as coisas, como o cata vento, o qual se move em harmonia com as correntes de ar que prevalecem. “Alegria é para aquele que conhece pouca tristeza”, afirma o poema Anglo-saxão. ”Aquele que não é perturbado pela tristeza terá frutos brilhantes, bênçãos e construções suficientes.” Wunjo é o ponto central entre dois opostos, onde a alienação e a ansiedade desaparecem, pois eles são causados pela falta ou pelo excesso. Esta é uma runa de fraternidade, objetivos compartilhados, e bem estar geral que nos ajuda a realizar nossa verdadeira vontade, a qual podemos usar para preencher completamente nossas necessidades. Isso acontece mostrando formas harmoniosas de fazer as coisas, transformando nossas vidas para melhor. Quando esta runa aparece numa divinação, Wunjo pode significar boas notícias de longe.

Aett de Heimdall e Mordgud

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9 – Hagalaz

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O segundo Aett começa com Hagalaz, a nona Runa. Seu som é o “H”. Assim como as outras runas no início deste Aeet, todas as três estão associadas a primeira parte do inverno. Hagalaz  é congelante e constritor. Literalmente, seu nome significa “Granizo”, o qual é água transformada em um curto tempo de líquido para sólido. Durante este tempo, o granizo cai dos céus violentamente, destruindo assim plantações ou propriedades. Mas uma vez que o dano é causado, ele derrete. Transformação é o princípio dominante aqui, assim como uma súbita transformação que uma tempestade de neve traz. Campos verdes e estradas negras são transformados rapidamente em um mar branco. Igualmente transformador é o degelo, quando as cores da terra são restauradas. No nível pessoal, Hagalaz é a runa da mente inconsciente e do processo da formação do pensamento. Num nível impessoal, Hagalaz está nas raízes da existência. Hagalaz é uma das maiores runas do Örlog, as leis da existência através das quais o padrão dos eventos do nosso passado formam nosso presente. Hagalaz nos da acesso a energias originadas no passado que ainda estão ativas no presente. Ela nos oferece o poder da evolução com a perspectiva da existência do presente.

10 – Naudhiz

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A décima runa é chamada de Naudhiz ou Not. Seu som é “N”. Naudhiz representa dois galhos de madeira usados para a necessidade do fogo, um poderoso ritual de fogo que somente era praticado em tempos de desastres, como a fome ou algum surto de uma praga no gado. Naudhiz significa, literalmente, “necessidade”, o qual representa ambos a escassez e a ausência das coisas, assim como o princípio da necessidade. Todas as necessidades são constritoras, e Naudhiz restringe nossas possibilidades. Isso é interposto no poema rúnico Anglo-saxão,o qual chama Nyd (o nome anglo-saxão para Naudhiz) uma “atadura apertada em torno do peito.” Mas com a runa Naudhiz também está o poder para ser liberto da necessidade: ”isso pode acabar se tornando um símbolo de ajuda”, nos é dito, ”se atendido cedo o suficiente.” Como Hagalaz antes desta, Naudhiz é uma runa de mudança. Quando usamos Naudhiz, precisamos ser cautelosos, carregando na mente a máxima antiga “conheça a ti mesmo”. Ao usarmos isso, nós não  devemos ir contra nossa Wyrd – destino – mas devemos usar construtivamente. Assim isso poderá nos ajudar a superar dificuldades. Normalmente, entretanto, a runa nos ata e nos impede.

11 – Isa

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A décima primeira runa é chamada de Isa. Seu som é ”I”. Literalmente significa “gelo” e sua forma é um sincelo (também ilustrado como um estalactite de gelo), reto, vertical e imóvel. “Gelo é muito frio” diz o poema rúnico anglo-saxão. “Ele brilha como vidro, assim como uma jóia…bom de se ver”. A runa Isa simboliza existência estática, o tempo presente. Gelo é lindo de se olhar, mas não faz nada, e não havia uso para os antigos. Simbolicamente, Isa é a runa que paralisa toda a atividade. O Gelo se forma pois a falta de energia transforma o líquido em sólido. A resistência estática do gelo toma o lugar da fluidez da água. Isa significa atraso ou uma parada no progresso de algo, ou o término de um relacionamento/relação. Uma vez que o gelo é estático, as vezes ele se move numa massa. Quando isso ocorre, como em uma avalanche, ela flui com uma força irresistível. Nessa forma, Isa representa um processo inexorável contra o qual não  podemos fazer coisa alguma. Também, quando está na forma de um iceberg, a profundidade do gelo flutuante é enganosa, pois só podemos enxergar um nono da verdadeira massa acima da superfície. Portanto, os efeitos de Isa, os quais podem parecer insignificantes, contém implicações e dimensões insuspeitas.

12 – Jera

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Jera ou Jara é a décima segunda runa. Seu som é “J”. Significa “Ano” ou “Estação”, Jera se refere aos ciclos da existência. Esta é a runa da realização no tempo propício, pois uma colheita farta só pode acontecer se as coisas certas estiverem feitas no momento certo. Jera não pode agir contra a ordem natural das coisas, mas, quando usada propiciamente, o resultado será benéfico, trazendo – como o poema rúnico anglo-saxão afirma – “uma brilhante abundância para ricos e pobres.” Jera pode ser escrita de duas formas diferentes. Uma é um traço vertical, carregando um diamante (como no naipe de ouros). Essa forma representa uma forma estável uma vez que é ativada. Simboliza o eixo cósmico rodeado pelas quatro estações do ano em sua ordem correta. Aqui, Jera é um pictograma de um objeto – A guirlanda de colheita, que é apoiada pelo mastro. A outra forma é composta por dois traços angulares, como duas runas Kenaz que interpenetra uma a outra sem se tocar. Esta é a forma dinâmica de Jera, representando mudanças em direção a realização.

13 – Eihwaz

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A décima terceira runa é Eihwaz e seu som é “EI”(13). É uma das mais poderosas runas, representando a árvore do Teixo (Taxus baccata). Antigos magos rúnicos cortavam bastões bifurcados, cajados, da vida e da morte do Teixo. Como ele combina longevidade com toxicidade, o teixo possui ambos os poderes de morte e de regeneração. Por causa de ser a árvore de maior longevidade entre todas as outras na Europa e se mantém verde por todo o ano, o teixo é uma árvore da vida. Alguns teixos antigos que morreram parcialmente são regenerados pelas suas próprias árvores menores, que nascem em seu interior. Esses, especialmente, são verdadeiros símbolos da continuidade da vida. Outros, os chamados “teixos sangrentos”, possui ferimentos nunca curados. Uma resina vermelha escorre pela árvore desses ferimentos, mas a árvore não é afetada. Teixos sangrentos são considerados sagrados, árvores de cura. Mas o teixo possui um outro lado, pois seu tronco, raiz, folhas, frutos e resinas são extremamente venenosos. Pois isso a Runa Eihwaz também é chamada de “Runa da Morte”, um poder reforçado pela sua posição como a Runa numero 13. Para o Erilaz antigo, a runa Eihwaz é um protetor mágico e um facilitador.

Seu significado é variado e depende da capacidade do Erilaz de entender suas interpretações a partir de seus atributos e do jogo que estará a fazer.

14 – Perdhro

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A décima quarta Runa é Perdhro e seu som é o “P”. A interpretação mais comum de Perdhro são os dados de copo usados para jogos e adivinhações. Outra possibilidade é um peão ou uma peça de jogo. Ambos as peças ou dados representam as incertezas do jogo da vida. Como uma peça de jogo, Perdhro simboliza a interação da liberdade de escolha com as restrições e circunstâncias. Quando jogamos, os padrões do tabuleiro e as regras dos movimentos das peças do jogo já estão ditadas. Mas além dessas limitações os movimentos de nosso jogo são livres. Como o jogo é jogado depende da habilidade e vontade dos jogadores e de suas interações. Perdhro é também uma runa de memória e recordação, de soluções para problemas, e conhecimento esotérico. Ela nos da acesso ambos aos conhecimentos internos e secretos do mundo humano e também para os trabalhos internos da natureza. Isso nos da o poder e habilidade para distinguir entre coisas valiosas daquelas sem valor. Pagãos modernos veem Perdhro como o útero da Grande Deusa que traz a vida para a existência. Nesse sentido, ela expõe coisas que eram previamente escondidas, tornando potencial em realidade física.

15 – Elhaz

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A décima quinta runa é Elhaz, ou Algiz. Seu som é o “ZZ”. Sua forma representa o poder e a resistência do poderoso Alce, cujas galhadas intimidam os inimigos. Vendo a galhada ameaçadora, ninguém ousa atacar, e o Alce ganha sem lutar. Elhaz também simboliza a “alongada” e “bicuda” planta carriço (Carex rostrata), cujas folhas pontudas repelem animais de comê-la. Para o mestre de runas, Elhaz é o mais poderoso símbolo de proteção de todos, pois ele possui a habilidade de repelir todo o mal. Acima de todas as outras, esta é a runa de proteção pessoal. Visualizar essa runa ao redor de seu corpo lhe da um potente escudo contra todos os tipos de ataques, físicos ou psíquicos. A Runa Elhaz é igualmente efetiva para proteger propriedades, especialmente construções e veículos. O poder de suporte e defensivo de Elhaz promete proteção contra todos os tipos de forças, conhecidas ou desconhecidas, que entra em conflito conosco. Simbolicamente, ela representa o poder do ser humano esforçando-se ao redor do poder divino, com a assistência de um suporte do outro mundo.

16 – Sowulo

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A décima sexta e última runa do segundo Aett é chamada de Sowulo. Sua letra é “S”. Como Elhaz, Sowulo é uma runa de grande força que veste e canaliza o poder do sol, o qual simboliza. Mas ele não está apenas como energia: ela também simboliza a iluminação que o sol providencia. Literalmente, Sowulo é a qualidade vital da luz do dia. Figurativamente, ela representa os poderes que precisamos para atingir nossos objetivos. Sowulo significa poder direto e devastador de forma reta, sem obstáculos. Sua forma remete a forma de um raio. Sowulo resiste as forças da morte e desintegração, garantindo o triunfo da luz sobre a escuridão. Por isso é a runa que ilumina nossos objetivos. “Para os homens navegando através do banho dos peixes, o sol significa esperança”, diz o poema rúnico anglo-saxão, “até o cavalo dos mares o traz para o porto”. Mantendo uma visão clara e mantendo nossos objetivos na visão da luz de Sowulo nos ajuda a atingi-los.

Aett de Tyr e Zisa

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17 – Teiwaz

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A primeira runa do terceiro Aett é Teiwaz e o seu som é o “T”. Como Aesc (Ansuz) Teiwaz é uma Runa Deus, sendo a runa do antigo Deus do Céu do norte da Europa, Tiwaz. Ele é conhecida na antiga Inglaterra como Tiw e na Escandinávia como Tyr, e deu seu nome para o terceiro dia da semana(14). O poder de Teiwaz é recontado nos mitos nórdicos quando o poderosos Deus sacrificou sua mão direita para permitir que fosse preso o destrutivo Lobo Fenris, que ameaçava o equilíbrio do mundo. Por isso a runa Teiwaz é a runa positiva do sacrifício pessoal para se ter sucesso em seus objetivos. Todo o sucesso que venha de Teiwaz vem temperado com sacrifício, o que pode significar estresse pessoal, trabalho duro, ou risco financeiro. A forma apontando para cima de Teiwaz remete a direção positiva para alcançar o melhor efeito desejado. Assim como Sowulo, a runa Teiwaz promete sucesso para alcançar seus objetivos com sucesso. Teiwaz trabalha especialmente com questões legais. Nesse caso, o sucesso de Teiwaz somente virá se você realmente tiver direito. Enganações Judiciais não acontecem quando Teiwaz está com o poder.

18 – Berkana

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Representando a Bétula (Betel pendulum), a décima oitava runa é chamada de Berkana ou Birkana e seu som é o “B”. Sua forma representa os seios da Deusa Mãe Terra chamada antigamente de Nerthus, Berchta, ou Frau Percht. A bétula é uma árvore de casca branca tradicionalmente associada com purificação. Como a primeira árvore a recolonizar a terra estéril quando o gelo recuou ao final da última Era Glacial, ela também simboliza a regeneração, primavera, e o retorno do calor após o frio. Berkana significa novos começos, especialmente na esfera feminina, no qual é uma Runa do Nascimento. Berkana é poderosa em todas os assuntos da mulher. Na tradição folclórica, galhos de bétulas são usados para “escovar” na vassoura, usados para varrer ao longe qualquer má sorte. Em algumas partes da Europa, as bétulas são usadas como mastro de maio(15). O número de Berkana – 18- é um número duplamente sagrado, um duplo 9, sendo símbolo de realização e novos começos num nível alto e orgânico. Ela marca o ponto onde as leis primais da existência foram definidas, e o estágio para o jogo da vida começar a ser sério.

19 – Ehwaz

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A runa chamada de Ehwaz é a décima nona runa. Esta é a Runa Cavalo e seu som é o “E”. Sua forma éum ideograma de um cavalo. Cavalos são um dos animais mais sagrados para os pagãos europeus, sendo as montaria de inúmeros Deuses e Deusas. Nos países Bálticos e Eslavos, eles eram usados na divinação, e cavalos sagrados agraciavam os templos na Pomerania (nas margens do sul  do mar báltico), dos Saxões e Ingleses. O poema rúnico Anglo-saxão nos conta orgulhosamente dos cavalos como “a alegria dos companheiros, andando com orgulho enquanto conversam por cavaleiros em todas as partes, e para o incansável, sempre um conforto”. A runa do cavalo significa um laço inquebrável, como a do cavalo e cavaleiro. Verdadeiras sociedades requerem lealdade e verdades absolutas, então confiança é uma necessidade absoluta para aqueles que usam esta Runa. Ehwaz demanda uma séria intenção a levar um assunto diretamente para sua realização. O cavalo também significa ir de um local para o outro, fazendo uma conexão entre o local de origem ao dentinho. Ehwaz nos da o ímpeto que necessitamos para levar qualquer tarefa do início até o final.

20 – Mannaz

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A runa Mannaz é a vigésima runa e seu som é “M”. Mannaz representa as qualidades básicas humanas que todos nós temos, sejam homens ou mulheres: isso significa nossas experiências compartilhadas. Sua forma representa um arquétipo do ser humano o qual nós vemos como um reflexo de todas as coisas na existência.  Simbolicamente, Mannaz significa ordem social, sem a qual nós não poderíamos atingir toda a capacidade humana. Essa forma reflete a ideia de suporte mútuo. Suas linhas estão ligadas pela runa Gebo em uma rígida, estável forma, assim como quando nós damos suportes uns aos outros, nós somos estáveis. Pela linguagem ser uma faculdade humana primária, Mannaz é classificada como uma Hugrune(16), uma das runas da mente. Esta runa é conectada com tudo aquilo ligada a linguagem. Usando-a, nós podemos ganhar vantagem em disputas ou exames acadêmicos. Um significado relacionado de Mannaz pode ser a árvore. Isso reflete a lenda escandinava de que os primeiros humanos foram feitos de árvores. Askr, o primeiro homem, veio de um Freixo, e Embla, a primeira mulher, de um Ulmeiro.

21 – Laguz

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A vigésima primeira runa se chama Laguz e seu som é o “L”. Laguz representa a água em suas muitas formas e fases. Como a água flui, Laguz representa a fluidez. O poder desta runa está no poder das marés e das quedas d’águas. O poema rúnico anglo-saxão nos fala dos perigos desta runa: “para os amantes da terra, a água se torna um problema se eles vão para o mar em um navio que é arremessado. As ondas os aterrorizam”. O poder do mar é irresistível, e nós devemos “ir com a maré” ou seremos destruídos. Laguz demonstra o poder unificado dos opostos presente em várias runas. Ao mesmo tempo em que não podemos viver muito tempo sem água, também não podemos viver muito tempo na água. Um significado subsidiário de Laguz é o Alho – uma “erva” mágica com um vigoroso poder de crescimento – pois a runa representa a abundância da força vital presenta na matéria física  e no crescimento orgânico. Mas o crescimento não é contínuo. Crescimento orgânico é presidido de ciclos, como podem ser vistos no crescimento dos anéis da concha marinha e árvores. A natureza do crescimento cíclico está presente em Laguz como o refluxo e a fluidez das marés. Laguz limpa obstáculos nos processos, e fluidez e aceleração toma o lugar.

22 – Inguz

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A décima segunda runa é Inguz, ou Ingwaz e seu som é “NG”. É um símbolo de luz representando um farol ou uma tocha. Essa runa pode ser feita de duas formas. Um é uma forma fechada e contida, como no naipe de ouros do jogo de cartas. Assim ele simboliza o fogo interior e é comum vê-la em construções antigas e em seus muros no norte da Europa. A segunda forma é expansiva, com as linhas ultrapassando sem limites a sua forma, carregando sua luz para fora a sua volta, mostrando sua luz ao longe. Como Teiwaz, Inguz é uma Runa Deus com o mesmo nome. Ele é o consorte da Mãe Terra, Deusa da fertilidade e do alimento. Inguz é o Deus da fertilidade masculina e representa o coração do lar, uma Lareira, então esta runa traz proteção para casa. De forma mais gral, Inguz representa energia. Simbolicamente, a runa Inguz canaliza energia potente, trazendo e integrando coisas anteriormente separadas. Entretanto, embora poderosa, a energia de Inguz não é imediata. Ela cresce gradualmente até ficar tão forte que precisa ser liberada numa só explosão, como o orgasmo masculino.

23 – Dagaz

dagaz

Dagaz é a vigésima terceira runa e seu som é o “D”. Dagaz significa “dia” e sua forma representa um equilíbrio estável entre forças opostas, especialmente, luz e trevas. Esta é a runa da luz do dia, especialmente meio dia e meio do verão, os maiores pontos da luz em ambos dia e ano. Esses são tempos de força e bem estar. O poema rúnico anglo-saxão diz: “Dia, mensagem de Deus, é precioso para as pessoas. A luz do Senhor dá gratidão e esperança, para o rico e para o pobre, para o benefício de todos.” Alguns usuários de runas chamam Dagaz de “ A Runa da Aurora”. Sua forma significa equilíbrio entre luz e escuridão, abrir e fechar, poderes ascendentes e descendentes. Dagaz possui um grande poder de proteção e também é uma ótima runa de luz, saúde, prosperidade e aberturas. Ela serve para impedir que aquilo que fere de entrar, enquanto ainda está permitindo nas coisas que precisamos. Tradicionalmente, para teazer sorte, esta runa é pintada ou entalhada em portas, persianas, batentes, e outros locais elevados na casa. No reino espiritual, Dagaz da as pessoas acesso a consciência profunda.

24 – Othala

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A vigésima quarta runa (e última runa do Elder Futhark) se chama Othala ou Odhil e seu som é o “O”. Na língua frísia, falada no que é agora norte da Alemanha e dos Países Baixos, esta runa é chamada de “Eeyeneerde”, significando “própria terra”. Esta runa define perfeitamente o significado de herança ancestral na forma das terras da família ou Clan. Nas leis tradicionais do norte da Europa, esta terra nunca poderá ser vendida. Esta é uma eterna propriedade, passada de geração para geração. Com este significado, Othala representa um estreitamento cujo conteúdo não pode ser levado embora. Simbolicamente, a runa mantém o estado existente das coisas. Othala resiste a regras arbitrárias, preservando a liberdade pessoal e coletiva com os padrões das leis naturais. Esta é a verdadeira riqueza. A posição de Othala no final do Elder Futhark reflete Fehu no início. Fehu é a riqueza que se pode trocar, enquanto Othala é a riqueza que não se pode vender. Entre essas duas runas existem todos os outros aspectos da vida humana, Othala é mais do que propriedade física. Isso significa também os aspectos culturais e espirituais recebidos como herança dos seus ancestrais. Isso da poder a nossa relação com nossa família ou grupo.

Aett dos Deuses

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25 – Ac

ac

O quarto Aett se inicia com a Runa Ac,seu som é um curto “A”. Ela significa literalmente “Carvalho”, a árvore sagrada do céu – e dos Deuses do trovão Tiwaz e Thunor (Tyr e Thor). Esta é uma runa de utilidade. “Carvalho na terra, útil para os homens”, diz o poema rúnico anglo-saxão, “alimento para os porcos, ás vezes ele viaja no banho dos gansos, como as lanças afiadas testam e o carvalho dura nobremente”. Ac é a runa que simboliza grande poder potencial, exemplificado pelo fruto do  carvalho, de onde nasce o poderoso carvalho. Aparentemente insignificante, a semente contém o poder do crescimento massivo. Ac canaliza a poderosa e continua força do crescimento de pequenos começos até poderosos clímax, nos ajudando em nossos processos criativos e produtivos. Durabilidade longínquo é o poder do Carvalho. São 300 anos crescendo, 300 anos maduro, e 300 anos em declínio. Uma vez morto, sua madeira pode durar indefinidamente na forma de madeira para construções.

26 – Aesc (Ansuz)

aesc

A vigésima sexta runa é chamada de Aesc (originalmente era Ansuz na quarta posição no Elder Futhark) e seu som é o “A”. Também chamada de As e Asa, é uma Runa Deus. Aesc é a Runa da força divina. Ela simboliza o sopro divino que da poder a existência, o qual os Deuses e Deusas são a mais perfeita expressão. Aesc é também a fonte divina com o ser humano, um controle energético da consciência e das atividades intelectuais. Esta runa é nomeada pela Freixo (Fraxinus Excelsior),uma das mais sagradas árvores nas tradições do norte e, especialmente, na tradição Nórdicas, a Árvore da Vida, Yggdrasil, o eixo cósmico que liga todos os mundos da criação. Este é um símbolo de estabilidade, como diz o poema rúnico anglo-saxão: “humanos amam o freixo, subindo as alturas. Mesmo que venham muitos inimigos combate-la, ela mantém bem o seu lugar, numa posição firme”. Aesc também representa a ordem divina que se mantem firme não importa quão difíceis as condições podem se tornar. Esta é a estabilidade divina que podemos recorrer em tempos difíceis.

27 – Yr

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A décima sétima runa é Yr, seu som é “Y”. Yr significa o arco feito de uma árvore ou do teixo. No estendido Futhork da Nortumbria, Yr pega seu significado de arco da runa Eihwaz. Sua forma pode representar uma besta, uma forma mais poderosa de um arco, usadas em tempos antigos por caçadores e soldados. Yr simboliza a perfeita combinação de habilidades e conhecimentos aplicado a materiais retirados da natureza. Assim como são usados como aqueles que trazem a morte, o arco é usado na divinação para achar locais especiais. Na Europa medieval, havia duas maneiras de se achar um local especial com um arco. Um era lançar uma flecha em alguma certa direção. Onde a flecha cair, lá é o lugar. Essa técnica aparece na lenda de Hobin Hood: ambos os enterros dele e do “Little John” foram definidos pela queda de flechas. Em 1219, a localização de onde deveria ser construída a Catedral de Salisbury foi adivinhada da mesma forma. A outra forma de localização é usar o arco tensionado como um tipo de “localizador de água”. Enquanto representa uma arma e uma ferramenta de adivinhação, Yr é a runa de estar no lugar certo – literalmente “no alvo”. Ela é valiosa para achar objetos perdidos ou para achar locais especiais.

28 – Ior

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Ior é a vigésima oitava runa e seu som é “IO”. Significa “Besta da Água” e representa  a Serpente do Mundo, Jörmungandr, a qual, nos mitos nórdicos, circula toda a Terra nos limites do oceano. Nesta forma, Ior remete a runa do Youger Futhark, Hagal, mas não há qualquer outra conexão além. A runa Ior simboliza naturezas duais, evidentes nos hábitos dos anfíbios de várias bestas marinhas. Segundo a lenda, Jörmungandr é uma formidável e perigosa besta cujos movimentos violentos causam terremotos e maremotos cujas ondas ameaçam desestabilizar o mundo. Como uma parte da estrutura do mundo, entretanto, Jörmungandr não pode ser destruída. Mesmo que fosse possível eliminar as qualidade que representa, isso poderia causar uma catástrofe bem pior do que se Jörmungandr continuasse a existir. Assim, a runa Ior significa aqueles problemas e dificuldades inevitáveis os quais devemos chegar a algum termo para que nossas vidas possam ser toleradas. Ior nos conta para não nos preocuparmos com as coisas que não podemos mudar.

29 – Ear

ear

A vigésima nona runa é Ear e seu som é “EA”. Ela representa o solo da terra, a “cova da terra” dos seres humanos. Figurativamente, este é “o pó” para o qual nossos corpos irão retornar na morte. “Para todos os nobres, o pó é terrível”, diz o poema rúnico anglo-saxão, “a carne começa a esfriar, o corpo precisa escolher a terra”. Simboliza a cova que marca o fim de toda a vida, Ear providencia um final apropriado para o poema rúnico anglo-saxão. Mas a morte apenas ocorre porque existiu vida em primeiro lugar. Sem vida, não ha morte, e sem tempo, não ha vida. De forma mais abrangente, a runa Ear significa o inevitável fim de todas as coisas em seu tempo. Na magia rúnica, Ear acelera a chegada de um ponto final inevitável. Como Eihwaz e Yr, Ear é uma runa do teixo.Ela é a terceira “runa da morte”.

30 – Cweorth

cweorth

A trigésima runa é chamada de Cweorth e seu som é o “Q”. A runa Cweorth simboliza a espiral ascendente de fogo. Especificamente, ela se refere a sacralidade do coração e da limpeza ritual através do fogo. Acima de tudo, este é um processo de transformação através do fogo. No caso de uma pira funeral, um dos aspectos de Cweorth, o fogo serve para a liberação do espírito. Igualmente, Cweorth simboliza o festival do fogo “bonfire” de celebração e alegria. Dessa forma, Cweorth é o oposto a ‘necessidade’, representada por Naudhiz ou Nyd.

31 – Calc

Calc Rune

A trigésima primeira runa é Calc e seu som é “K”. Literalmente, Calc significa um copo ou cálice ritual de oferenda. Nessa forma, Calc é uma runa Elhaz invertida. Vista dessa forma, Calc é interpretada como a morte do indivíduo. Entretanto, não é uma “runa da morte” no sentido literal. Isso não indica a morte inevitável de alguém ou algo, mas como Ear, significa a conclusão natural de um processo. Isso não é uma terminação, mas o fim de uma forma antiga de ser resultando numa transformação espiritual. Calc nos conecta a áreas que parecem ser acessíveis, mas não podem ser tocadas – inapreensível, irrealizável e desconhecido. No mito medieval, Calc é a runa do Santo Graal, o cálice de outro mundo que cura e restaura a terra perdida.

32 – Stan

stan

A última runa do quarto Aett é chamada de Stan. Seu som é “ST”. Literalmente, significa “pedra” e simboliza todos os aspectos dessa substância. Fundamentalmente, simboliza os “ossos da Terra”, as pedras abaixo de nossos pés. Figurativamente, representa um obstáculo, como um pedregulho na entrada de uma caverna. Também significa uma peça usada em algum jogo de tabuleiro, sua forma é reforçada, as quais foram encontradas peças de jogos com a mesma forma usada no norte da Europa. Simbolicamente, Stan representa uma conexão entre seres humanos, poderes terrenos e celestiais, com o quais, como a barreira de pedra, tanto providencia proteção, ou impede o progresso. Os Erilaz de antigamente usavam a runa Stan para obstruir e prevenir, virando opositores para trás e mandando embora qualquer assaltante.

33 – Gar

gar

A trigésima terceira e última Runa é Gar e seu som é o “G”. Seu significado é de uma Lança em específico: a Gungnir, Lança de Odin, cuja madeira é feita de freixo, fazendo-a ser uma versão portátil da Árvore do Mundo, a Yggdrasil, onde Odin ficou pendurado por nove noites antes de descobrir a sabedoria das Runas. Diferente das outras 32 runas que pertencem a algum Aett em específico, Gar não pertence a nenhum Aett em particular, é uma runa que considera-se conter todas as demais. Isto é único, representando o ponto central do espaço onde ao mesmo tempo está em todos os lugares e em nenhum lugar. Quando os quatro Aettyr são escritos em um círculo, a runa Gar permanece no centro, formando o ponto central. Gar representa o início de uma nova ordem das coisas.
(17)

Agora os dizeres de Har estão
ditos no salão de Har,
muito úteis aos filhos dos homens,
inúteis aos filhos dos gigantes.
Saudações àquele que falou!
Saudações àquele que entende! 
Aproveite aquele que compreendeu!
Saudações àqueles que ouviram!
(18)

hem5

Notas:

(1) Encantamento com a Runa Stan feito pelo “Alto Deus” Kinsman (Odin), retirado do Poema Nórdico “The Lay of Hamdir”. Trecho  retirado do livro “The Complete Illustrated Guide to Runes”, Pág 67 – de Nigel Pennick, Ed. Element.

(2) De forma resumida, os Skalds eram como os Bardos, cantavam canções e histórias, preservado a cultura do povo e espalhando as lendas e histórias sobre os Heróis;

(3) As Eddas são um conjunto de textos antigos escritos originalmente em versos que possibilitaram o estudo mais detalhado dos Deuses nórdicos e seu universo;

(4) Alvismál, ou a balada de Alvis, é um poema sobre o Anão Alvis que vai a casa do Deus Thor para tentar se casar com sua filha e pelo próprio Deus do Trovão tem seus conhecimentos testados. O Alvismál pertence às Eddas;

(5) Anões eram seres de estatura baixa, longas barbas, feios, mas de sabedoria superior. Vivem em Nidavellir, abaixo de Midgard, são pálidos e ligados ao submundo;

(6) Alvis é o anão que tentar, por esperteza, casar com Thrud, uma das filhas de Thor; mas quando o mesmo fica sabendo, desafia sua sabedoria e inteligência em troca da permissão de se casar com sua filha;

(7) Os Elfos são seres belos e nobres, que moram em Alfheim, um dos nove mundos da Yggdrasil. Algumas descrições apontam que sejam luminosos e radiantes, como divindades menores. Talvez imortais;

(8) Hel era o nome da Deusa do submundo, para onde iam os que morriam de doença ou velhice. Quando Odin lhe enviou ao submundo, Ela obteve o domínio dos nove mundos inferiores e o submundo recebeu o seu nome, Helheim, também conhecido como Hel;

(9) Os Asen (ou Aesir) são um clã de Deuses mais voltados a guerra e adjacentes, sendo os mais famosos Odin, Frigg, e Thor;

(10) Os Vanen (ou Vanir) são um clãde Deuses mais voltados a agricultura e a elementos naturais, sendo os mais famosos Freyr e Freyja, Njörd e Mimir;

(11) Era dito que tanto os Anões quanto os Elfos escuros não poderiam ser tocados pelo sol, ou virariam pedra;

(12) “Set” é o nome em inglês que significa “conjunto”, muito usado para designar qual tipo de grupo ou conjunto, ou seja, qual ‘set’ de runas está sendo apontado;

(13) O Som dessa runa é vista em variações de “êi”, “ái”, “êo” e também de “ío”;

(14) Em inglês, terça-feira é Tuesday. Dos países do ocidente, o português é o único idioma que usa “feiras” para designar os dias de semana, por culpa da influência cristã. Tanto o inglês, espanhol, italiano e outros idiomas usam os nomes derivados de Deuses antigos para denominar os dias da semana;

(15) Em inúmeros locais na Europa, as pessoas levantam um mastro no mês de Maio e dançam em volta do mesmo, trançando-os com fitas e panos coloridos. Uma tradição bem comum. A palavra original era “maypole”, Mastro de Maio;

(16) Ver a primeira parte das postagens sobre Runas – Um pouco sobre Runas – Parte 1 ;

(17) Todo o texto foi traduzido e retirado de diversas partes da obra de Nigel Pennick, “The Complete Illustrated Guide to Runes”, da editora Element;

(18) Havamál, as máximas de Har, verso 164.

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6 Respostas para “Um pouco sobre Runas: – Parte 3: Enigmas, significados e interpretação

  1. Pingback: Poema Rúnico Anglo-saxão (original, inglês e português) | A Nona Direção

    • Olá Klauber,
      Achei engraçado, mas interessante hahaha
      Não é “Khuzdul” do Senhor dos Anéis, mas sim, runas históricas e que realmente foram usadas tanto na escrirta quanto no dia-a-dia dos Povos do Norte 🙂
      Abraços!

      Curtir

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