As Visões de Mundo de um Andarilho da Arte sem Nome

As Visões de Mundo de um Andarilho da Arte sem Nome


(Art by Valin Mattheis: Facebook Page and Strange Gods Website)

Queime Brilhante e eterno:
O coração da Estrela no coração da terra,
O coração da terra no coração do homem!
(1)

 

Muitas vezes, enquanto Caminho por algum de meus trajetos comuns ou quando decido subitamente mudar a direção ou experimentar outros caminhos, sempre me pego observando as sutilezas de toda uma poesia aparente na existência. Longe de ser apenas algum tipo de reflexão ou devaneio acerca do tema que começo abordando nesta postagem (mas também sendo tudo isso); também pretendo apontar a importância que enxergo nas diferentes visões de mundo quando falamos de Bruxaria.

A priori, pode parecer que se trata apenas de um ponto de vista (e realmente, no final, poderia mesmo ser apenas isso), mas é sábio notar as sutilezas entre as diferentes visões e de como podemos notar algumas diferenças entre aqueles capazes de “enxergar além” das pessoas que enxergam apenas o que lhes apontam ou que param de ver aquilo que lhes é proibido, seja por uma moral, convenção social ou mesmo através do sacrifício da visão pessoal (subjetiva) em nome de uma realidade geral e mecânica (objetiva) que no final não passa de uma ilusão.

Bruxos enxergam o mundo de forma diferente. Porém, não vivemos apenas no mundo das ideias como a maioria das massas: nós reagimos, interagimos e vivemos de acordo com essas diferentes visões de mundo.

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Alguns contos da nossa terra – Parte 2

Alguns contos da nossa terra – Parte 2

karajas
(Uma foto do povo Karajá)

O-nhan, e-îori, e-îori s-epîak
O-nhan ir~unamo, ir~unamo tukura
E-îori s-epîak, pytuna-pe berab
Berab mo-endy, ybaka-pe
(1)

 

Uma Menina chamada Mani

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       Era uma vez uma índia que teve uma filhinha chamada Mani.

    A menina era bonita e tinha a pele bem clara, diferente das outras crianças da tribo, que eram morenas.

    Assim que começou a andar, ela se juntou a outras crianças da tribo e passou a participar alegremente das brincadeiras. Todos gostavam muito dessa indiazinha de pele tão clara.

    Um dia, porém, de repente, a pequena Mani ficou muito doente. Todos se preocuparam com a sua saúde, mas ninguém sabia qual era a sua doença. Os índios fizeram tudo o que sabiam, mas não conseguiram salvá-la.

    Mani morreu. Continuar lendo

Alguns contos da nossa terra – Parte 1

Alguns contos da nossa terra – Parte 1

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(Anhangá lutando contra Tupã)(1)

Anhã Aminoé,
Tapeguasupe Kurusu,
Tangará rapé
Patuá minae, Kakaju.
(2)

 

A Índia que amava a Lua

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    Muitos e muitos anos atrás, vivia Iapuna, uma jovem índia do povo Tupi.

    Ela era uma garota alegre, que gostava de passear pela floresta, de brincar com os animais, de nadar nos rios com seus irmãos. Mas, quando a noite começava a chegar, gostava de ficar sozinha, deitada na grama, admirando as estrelas, a Lua, o céu distante.

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A Beleza das coisas não vistas

A Beleza das coisas não vistas

A woman carries decorated human skull or "natitas", as she waits to be greeted by the priest inside the Cementerio General chapel, during the Natitas Festival celebrations, in La Paz, Bolivia, Sunday, Nov. 8, 2015. Although some natitas have been handed down through generations, many are from unnamed, abandoned graves that are cared for and decorated by faithful. They use them as amulets believing they serve as protection. The tradition marks the end of the Catholic All Saints holiday, but is not recognized by the Catholic church. (AP Photo/Juan Karita) ORG XMIT: XJK109

(Um dos crânios humanos do festival das Natitas, Bolívia) (1)

O estigma da desilusão
Confirma sua própria ilusão
E depois de tudo esse pode ser você.
(2)

Boa noite aos leitores da Nona Direção! Hoje vamos falar sobre beleza! Não, não será apenas sobre a beleza convencional ou padrão de nossa sociedade. Iremos falar da beleza que cerca a bruxaria e das formas esquecidas e ignoradas pelas pequenas mentes que cismam em  permanecer em nosso meio.

Esta é uma postagem muito simples, mas que para muitos pode ser complicada de entender. Aqueles que entendem ou sintam a poesia da linguagem dos Deuses, dos espíritos e entidades de nosso mundo, saberão exatamente do que estarei falando em algumas partes. Afinal, a poesia em si é a linguagem dos Deuses, como o vinho que faz as pedras falarem.

Todos nós temos gostos diferentes e desejos por estéticas distintas. Muitas coisas são reconhecidamente como uma beleza comum, onde a maioria concorda que seja algo belo. Tudo bem, mas e na bruxaria? quando falamos de beleza, o que realmente podemos ter em mente?
Oras, TUDO!
A existência em si é de uma beleza única. Atemporal e sem espaço. Inexistente ao mesmo tempo e que está em todas as coisas. Até aqui tudo bem, mas é aí que entramos em uma outra área mais obscura para a maioria, assim como repulsiva ou até mesmo terrível para a maioria das pessoas: É aqui que nós devemos entender a natureza dos Deuses, do mundo, da NOSSA.

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Diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional – Por Robert Artisson

Diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional – Por Robert Artisson

1

“Eu sou o Diabo no Inferno,
Dante poderia dizer,
Eu sou um dos treze”.
(1)

Esta é uma entrevista dada por Robert Artisson sobre as diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional. Infelizmente não sei para quem ele deu a entrevista e nem onde foi originalmente publicada. Porém, repasso a entrevista aqui no blog.
Vi esta entrevista por uma acaso, no blog Brasil Conjure, de um dos meus Kins, Kefron Primeiro. Aliás, vale a pena visitar sua página.

Não ha nenhuma intenção em falar bem ou mal deste ou daquele Caminho, apenas expor a realidade de como as coisas realmente são em sua origem. Vamos ser realistas.

Muita gente achou ruim eu escrever no último texto que Wicca só havia 2 (Gardneriana e Alexandrina), alegando que existe muito além disso. Como alguém que passou por um Coven Gardneriano, posso apenas afirmar que quem não consegue traçar seus iniciadores até Gardner (de forma direta), não é reconhecido e nem considerado wiccano pelos próprios wiccanos…não sou eu quem está dizendo, até porque não me identifico com isso mais.

De qualquer forma, deixo a entrevista abaixo, a qual vale muito a pena ler.

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O Caminho Partido e a Era da informação

O Caminho Partido e a Era da informação

f (2)

Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.
-Oscar Wilde

Não é segredo ou novidade que o mundo possui um crescimento exponencial quando se trata de tecnologia e de conhecimentos que trazem conforto e praticidade. Na última década temos acompanhado uma febre no que diz respeito não somente a internet, mas ao acesso e a facilidade através de aparelhos móveis diversos, bem como ao acesso a informação a todas as classes e grupos. O compartilhamento da informação chega a ser feita em tempo real a qualquer acontecimento diário, resumido a um simples botão ou comando.

Teoricamente o acesso à informação deveria abrir a mente das pessoas e dificultar a manipulação das mesmas através das grandes mídias ou das opiniões e preconceitos arcaicos. A idéia é que quanto mais as pessoas se comunicassem através da escrita, mais as mesmas exercitariam o vocabulário e cada vez melhor seria tanto seus conhecimentos quanto suas idéias: tais suposições simplesmente caíram por terra da pior forma possível.

O acesso em si, tanto da informação quanto da comunicação não somente está sendo falho no que diz respeito a propagar novas idéias e abrir as mentes das pessoas, como também trouxe inúmeras mazelas e problemas de forma compartilhada, bem como aumentar o alcance da inutilidade das pessoas mundanas: muito mais do que propagar boas e novas idéias, pois embora por um lado o acesso a informações mais valiosas tenha sido facilitada, o volume de mazelas espalhadas e de péssimos hábitos e manutenção da inutilidade das ovelhas tem sido esmagadoramente maior.

O problema não está, de forma alguma, na tecnologia ou nas inovações, pois as mesmas, além de serem úteis, possibilitarem e ilustrarem o desenvolvimento das criações humanas (incluindo avanços tanto com o intuito de curar quanto de matar), tais avanços se tornam naturais e dependem única e exclusivamente de pessoas para aplicarem o seus usos.

O Problema real são as pessoas.

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Amor, Guerra, Sexualidade e Escuridão: Algumas reflexões sobre Afrodite e seus domínios.

Amor, Sexualidade, Guerra e Escuridão:
Algumas reflexões sobre Afrodite e seus domínios.

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E eu com saudades de você
Como uma criança, sozinha, sonhando
Meu coração viaja para
Onde o amor já está guardado em mim
E de imagem em imagem
Vi minhas memórias de você
(1)

   Tanto nas histórias Helênicas quanto nos cultos modernos, assim como nos textos históricos, Hinos religiosos, literatura e na mente e inspiração de muitos artistas por vários séculos, Afrodite pode facilmente ser achada e reconhecida, seja na Literatura ou nos cultos modernos de nossa época.

   Sendo uma Deusa Antiga, inúmeras teorias apontam para que sua origem seja anterior aos Deuses Olímpicos, classificando a mesma como uma Titânide(2), anterior ao próprio Zeus.

   Existem outras versões de que Ela seja filha de Zeus e Hera(3), mas tal estudo não fará parte do texto atual, assim como as teorias de suas origens pré-helênicas e identificações com outras Deusas pelos próprios gregos, também não farão parte do texto de hoje.

   Este texto servirá como uma importante reflexão sobre a natureza da tão famosa Deusa do Amor, da Beleza e da Sexualidade, passando rapidamente por algumas referências a seus atributos e de como distorcemos sua imagem e atributos para que nos seja agradável e até mesmo mais aceita pela maioria, levando uma boa parte de seus ditos seguidores a ignorarem sua natureza real e complexa, que ao mesmo tempo é encantadora, sedutora, perigosa e extrema.

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