Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

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São iguais o belo e o feio; andemos da névoa em meio.”
(1)

Quem nunca imaginou a figura da Bruxa com caldeirões, vassouras e um Familiar? Com alguns aparatos feito de ossos e partes de animais ou até mesmo um crânio humano?

Como não pensar no mago traçando seus círculos geométricos variados com cálculos e formas simétricas, usando uma espada ou bastão?

Da velha feiticeira com suas ervas e plantas? Com seus patuás(2) e símbolos populares?

Quem nunca viu ou ouvir falar de benzedeiras que utilizam plantas para benzer e retirar doenças e mal estares de outras pessoas, seja com arruda(3), espada de são Jorge(4) e até mesmo brasas ou óleos?

A mulher vidente que usa uma bacia com água especialmente preparada ou um espelho mágico para ter visões proféticas ou ainda o Erilaz(5) que usa suas runas com um pano próprio para seus jogos ou a runa em si para um encantamento; visões interessantes e até mesmo estereotipadas em comparação com o conhecimento popular.

Há quem diga que aqueles que praticam A Arte da Magia, devem possuir inúmeros aparatos pré-estabelecidos, normalmente ligados a sua própria Arte, seja em qualquer de suas formas e expressões. Há quem diga que tais ferramentas são indispensáveis e que sem o seu uso o praticante ficaria limitado e até mesmo impossibilitado de fazer uso de inúmeros poderes ao seu dispor.

Este ensaio tem como objetivo divagar e expor alguns conceitos relevantes ao que chamamos de “Aparatos Mágicos” ou “Instrumentos Mágicos”.

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O Caminho Partido e a Era da informação

O Caminho Partido e a Era da informação

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Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.
-Oscar Wilde

Não é segredo ou novidade que o mundo possui um crescimento exponencial quando se trata de tecnologia e de conhecimentos que trazem conforto e praticidade. Na última década temos acompanhado uma febre no que diz respeito não somente a internet, mas ao acesso e a facilidade através de aparelhos móveis diversos, bem como ao acesso a informação a todas as classes e grupos. O compartilhamento da informação chega a ser feita em tempo real a qualquer acontecimento diário, resumido a um simples botão ou comando.

Teoricamente o acesso à informação deveria abrir a mente das pessoas e dificultar a manipulação das mesmas através das grandes mídias ou das opiniões e preconceitos arcaicos. A idéia é que quanto mais as pessoas se comunicassem através da escrita, mais as mesmas exercitariam o vocabulário e cada vez melhor seria tanto seus conhecimentos quanto suas idéias: tais suposições simplesmente caíram por terra da pior forma possível.

O acesso em si, tanto da informação quanto da comunicação não somente está sendo falho no que diz respeito a propagar novas idéias e abrir as mentes das pessoas, como também trouxe inúmeras mazelas e problemas de forma compartilhada, bem como aumentar o alcance da inutilidade das pessoas mundanas: muito mais do que propagar boas e novas idéias, pois embora por um lado o acesso a informações mais valiosas tenha sido facilitada, o volume de mazelas espalhadas e de péssimos hábitos e manutenção da inutilidade das ovelhas tem sido esmagadoramente maior.

O problema não está, de forma alguma, na tecnologia ou nas inovações, pois as mesmas, além de serem úteis, possibilitarem e ilustrarem o desenvolvimento das criações humanas (incluindo avanços tanto com o intuito de curar quanto de matar), tais avanços se tornam naturais e dependem única e exclusivamente de pessoas para aplicarem o seus usos.

O Problema real são as pessoas.

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Caráter, Conflitos e o Caminho da Mão Esquerda

Caráter, Conflitos e o Caminho da Mão Esquerda

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Eu estou cansado de suas desculpas,
Não pode mais lidar com o viver,
Eu lhe darei razões para continuar,
Enquanto você se contorce no chão
(1)

            Inúmeras são as dúvidas e extensa é a confusão tanto daqueles que realmente começam a “andar o Caminho” quanto daqueles que dizem percorrê-lo. Em determinados momentos, nos deparamos com algumas situações onde algumas escolhas parecem dúbias, bem como a definição do que podemos dizer ser “certo” ou “errado”, alimentando dúvidas quanto a essas definições ilusórias ditadas por outras pessoas e seguidas apenas pelas ovelhas que, em sua maioria, não passam de hipócritas de seus próprios valores ilusórios.

            Para entendermos melhor e para que possamos visualizar certos conceitos, precisamos, primeiramente, conseguir olhar as situações em si “de fora”, como se fôssemos expectadores, a fim de que nossa visão dos fatos não seja prejudicada pelas emoções como um todo e para não corrermos o risco (ao menos não inteiramente) de fazermos escolhas erradas tendo como base sentimentos momentâneos ou motivos incertos. É claro, a ideia de olharmos “de fora” para um problema, requer um equilíbrio no que diz respeito a vivência e si, pois se formos meros expectadores de nossas próprias vidas, não viveremos de fato, mas sim, apenas agiremos de forma mecânica, anulando qualquer experiência, aprendizado ou proveito em tudo que fazemos, seja no sofrimento ou no deleite.

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Hino Órfico para Plutão

Hino Órfico para Plutão

(Hino XVII)

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Plutão, magnânimo, cujos Reinos profundos
Estão fixados abaixo do chão firme e sólido,
Nas planícies do Tártaro, afastado da luta,
E envolvido para sempre nas profundezas da Noite;
Jove terrestre, vosso sagrado ouvido incline,
E por favor aceite vosso místico Hino Divino.
A chave da Terra para ti, pois ao ilustre Rei pertence,
Vossos portões secretos destrancados, profundos e poderosos,
És vosso, os abundantes frutos para colher,
Pois para os mortais necessitados são vossos cuidados constantes. Continuar lendo

Amor, Guerra, Sexualidade e Escuridão: Algumas reflexões sobre Afrodite e seus domínios.

Amor, Sexualidade, Guerra e Escuridão:
Algumas reflexões sobre Afrodite e seus domínios.

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E eu com saudades de você
Como uma criança, sozinha, sonhando
Meu coração viaja para
Onde o amor já está guardado em mim
E de imagem em imagem
Vi minhas memórias de você
(1)

   Tanto nas histórias Helênicas quanto nos cultos modernos, assim como nos textos históricos, Hinos religiosos, literatura e na mente e inspiração de muitos artistas por vários séculos, Afrodite pode facilmente ser achada e reconhecida, seja na Literatura ou nos cultos modernos de nossa época.

   Sendo uma Deusa Antiga, inúmeras teorias apontam para que sua origem seja anterior aos Deuses Olímpicos, classificando a mesma como uma Titânide(2), anterior ao próprio Zeus.

   Existem outras versões de que Ela seja filha de Zeus e Hera(3), mas tal estudo não fará parte do texto atual, assim como as teorias de suas origens pré-helênicas e identificações com outras Deusas pelos próprios gregos, também não farão parte do texto de hoje.

   Este texto servirá como uma importante reflexão sobre a natureza da tão famosa Deusa do Amor, da Beleza e da Sexualidade, passando rapidamente por algumas referências a seus atributos e de como distorcemos sua imagem e atributos para que nos seja agradável e até mesmo mais aceita pela maioria, levando uma boa parte de seus ditos seguidores a ignorarem sua natureza real e complexa, que ao mesmo tempo é encantadora, sedutora, perigosa e extrema.

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Um pouco sobre o medo e suas utilidades

Um pouco sobre o medo e suas utilidades

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“Sou sangue de teu sangue
Sou luz que se expande
Sou medo de teu medo
Senhor do teu tempo”
(1)

Para todos aqueles que iniciam uma jornada, principalmente ligada a algum tipo de magia, podemos dizer que além do fascínio e de todas as expectativas, o sentimento mais comum é o de medo.

        Diferente do que muitos dizem de forma equivocada, o medo não é um sentimento ruim, pois o mesmo é responsável por uma grande liberação de poder, seja para um lado ou para o outro. O medo existirá em todas as formas na vida não só do bruxo, mas de qualquer outra pessoa; a grande diferença é de que o bruxo conhece bem os seus medos e sabe usá-los tanto para benefício próprio ou para atingir os outros. Ao contrário do que muitos dizem, o verdadeiro corajoso não é aquele que não sente medo, mas sim, aquele que o sente e o controla: mesmo sabendo e sentindo medo de algo, o indivíduo em si não se deixa controlar e faz aquilo que é necessário, aconteça o que acontecer; isso é coragem. Trabalhar com os próprios medos não é uma tarefa simples, muito menos rápida. Requer-se tempo e dedicação diária, reflexões profundas e que passem por assuntos delicados até para – e principalmente – você mesmo. Existe tantos diferentes medos que não seria possível criar uma lista para a variedade dos mesmos, muito menos para os graus de vulnerabilidade e de resistência aos mesmos para cada indivíduo. A única coisa possível é o indivíduo trabalhar com os mesmos a fim de conhece-los mais profundamente, aprendendo mais sobre si no processo, e entender o que ocorre em suas reações e sentimentos.

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Enxergando através do Véu

Enxergando através do Véu

Enxergando atravé do Véu 1

“Flechas do sol vão penetrar a mente humana
Sophia nasce quando capturamos uma delas
Flechas do sol, elas queimam a alma e nos fazem ver
Bem fundo no labirinto: a psique, a alma”
(1)

Existem algumas concepções de que a realidade não é aquilo que parece ser. Uma dessas ideias consiste em que temos o habito de crer apenas naquilo em que nossos olhos são capazes de contemplar. Outros ainda, dizem que é aquilo que pode ser sentido e administrado pelos cinco sentidos básicos. Então, após inúmeras divagações e experiências, poderíamos citar exemplos básicos que destruiriam tal noção do que é convencionalmente chamado de ‘realidade’, como por exemplo, sonhos. Sim, sonhos. A reflexão começa a ocorrer quando dependemos do cérebro, que é algo físico, mutável, deteriorável, portanto, limitado e falho. Não estou falando da mente em si, pois a mente é como se fosse uma entidade acima de sua parte física, o cérebro.
Nosso cérebro é capaz de criar realidades através de sonhos, visões e até mesmo em antecipações ou num extremo, ele cria sua própria realidade, como acontece com aqueles que carregam alguma doença psíquica.

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