O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

“É difícil marcar o lugar onde para o homem e começa o animal,
onde cessa a alma e começa o instinto
-onde a paixão se torna ferocidade.
É difícil marcar onde deve parar o galope do sangue nas artérias,
e a violência da dor no crânio.”
(1)

Quantas vezes não ouvimos relatos, videos e declarações de feitos mágicos que chegam a saltar os olhos? Quantos desses relatos nos lembram livros e filmes de fantasia e do quão heroico ou até mesmo harmônico tais relatos nos deixam boquiabertos?

Várias pessoas conversando com Deuses como se fossem seu vizinho da esquina; lutando contra entidades sinistras ou demoníacas como se fossem verdadeiros e poderosos guerreiros mágicos (ou algo assim); ou ainda falando com dragões e inúmeras criaturas como se fossem seu animal de estimação? Realizando teletransportes?

Pois é… a maioria dessas pessoas provavelmente ficariam paralisadas de terror se uma pessoa morta aparecesse na frente delas durante a noite, na escuridão do corredor pelo qual atravessam para ir ao quarto.

Neste texto iremos abordar sobre o medo natural e instintivo o qual estamos sujeitos e algumas possíveis formas de se trabalhar para podermos trilhar nossa caminhada sem sermos escravos desses mesmos medos.

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Medos, Buscas, Completude e a Alquimia Interna

Medos, Buscas, Completude e a Alquimia Interna

“Quem irá cantar para mim
No sonho da morte em que fui deixado
Quando eu ando no Caminho para Hel
E a trilha em que piso
É tão fria, tão fria”.
(1)

Este é um ano diferente dos demais.

Não pelo fato dos acontecimentos serem únicos – para uma vida realmente vivida, devemos ter muitas coisas únicas ou experimentar coisas pela primeira vez.

Pode parecer besteira, mas a experiência não se dá apenas através da repetição e lapidação, mas também pela experimentação de coisas novas, ou ainda, de colocar em prática pensamentos e ideias atrativas ou fascinantes, mesmo sem saber se haverá bom resultado ou não: gostar ou não faz parte do conhecimento e do auto conhecimento, o que é algo muito importante no Caminho.

Enquanto no Estruturalismo(2) nossas escolhas são pré determinadas pelas estruturas sociais ao nosso redor e tudo que sabemos e escolhemos são apenas resultados dessas bases, no Existencialismo(3) temos a ideia antagônica de que somos livres e que com isso temos uma pesada e complexa responsabilidade em nossas escolhas, assim como responsabilidade em suas consequências, mesmo sem sabermos quais seriam.

Seria a morte parte da estrutura humana ou poderia ser também uma experimentação única em si?

De qualquer forma, algumas coisas podem e deverão ser escritas neste texto, tendo como base experiências, reflexões, escolhas, estados e, obviamente, transformações.

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Identificando padrões: Bruxaria e as formas de Poder

Identificando padrões: Bruxaria e as formas de Poder

“A beleza de um falcão branco,
Minha marca em sua pele,
Siga-me escada abaixo quando nós morrermos.
Sua alma está no céu,
Seu corpo no inferno,
Isso não importa muito pra mim”.
(1)

 

Não pretendo fazer desta postagem algo muito longo, mas penso que poderia escrever sobre algumas coisas que possivelmente podem ser úteis a algumas pessoas, na maioria iniciantes no Caminho ou que ainda ficam perdidas em meio a certas situações, principalmente na internet e, muitas vezes, no mundo real.

Primeiramente devemos manter em mente que a Bruxaria em si é fluida, sem forma, que se adapta, muitas vezes como a água. Da mesma forma ela pode ser selvagem, destrutiva e criativa como o fogo. Ela é imprevisível e impetuosa e afiada como o vento e possui fundamentos tão antigos e tão firmes quanto a terra. Ela agrega o que está acima, o que está abaixo e, principalmente, o que está no meio. O bruxo, muitas vezes, tende a ser um eixo entre mundos e poderes. Um sábio que conhece certos segredos e costuma respeitar as tradições da própria terra, podendo fazer uso de qualquer elemento em que enxerga Poder ao seu bel prazer.

Não existe ‘uma” bruxaria. Não existe uma “entidade” bruxaria. nem Deuses únicos ou formas únicas de se fazer ou ser bruxo. Não existem autoridades, donos ou instituições na bruxaria e ninguém, de forma alguma, manda, desmanda ou decide coisa alguma. Ninguém manda no bruxo e muito menos na Arte sem Nome.

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Os Vícios e os Erros modernos na Bruxaria

Os Vícios e os Erros modernos na Bruxaria

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“Não faça o que desejar – Faça o que é necessário.
Tome tudo o que você recebe – dê tudo de si mesmo.
O que eu tenho – eu seguro!
Quando tudo mais está perdido, e não até então, prepare-se para morrer com dignidade.”
(1)

Poderia haver outras formas de começar esta postagem, que embora escrita de forma espontânea, possui pensamentos e ideias não somente pessoais, mas ideias compartilhadas por inúmeros praticantes da Arte. Dentre esses praticantes que cito, boa parte não revela e nem discute sobre as próprias práticas abertamente, dando no máximo alguns vislumbres através de inspirações, algo que consideramos sagrado e divino. Alguns poucos dedicam-se a uma divulgação mais aberta, para ensinar ou viver de seu ofício, mas a maioria de nós prefere ser mais reservado. De qualquer forma, comecei a postagem com a máxima acima de um Bruxo Tradicional famoso entre aqueles que Andam o Caminho e possuem um grande respeito pela “Arte sem nome”, a qual antecede todos os conceitos modernos e “new age” na Bruxaria em si.

Irei abordar vários tópicos a respeito do que é praticado entre aqueles que possuem um Caminho mais tradicional e do que acaba ocorrendo nos meios modernos e em algumas novas religiões, como a Wicca e os reconstrucionismos mais conhecidos, pois esses influenciaram boa parte da mentalidade moderna, seja isso bom ou ruim.

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Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

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São iguais o belo e o feio; andemos da névoa em meio.”
(1)

Quem nunca imaginou a figura da Bruxa com caldeirões, vassouras e um Familiar? Com alguns aparatos feito de ossos e partes de animais ou até mesmo um crânio humano?

Como não pensar no mago traçando seus círculos geométricos variados com cálculos e formas simétricas, usando uma espada ou bastão?

Da velha feiticeira com suas ervas e plantas? Com seus patuás(2) e símbolos populares?

Quem nunca viu ou ouvir falar de benzedeiras que utilizam plantas para benzer e retirar doenças e mal estares de outras pessoas, seja com arruda(3), espada de são Jorge(4) e até mesmo brasas ou óleos?

A mulher vidente que usa uma bacia com água especialmente preparada ou um espelho mágico para ter visões proféticas ou ainda o Erilaz(5) que usa suas runas com um pano próprio para seus jogos ou a runa em si para um encantamento; visões interessantes e até mesmo estereotipadas em comparação com o conhecimento popular.

Há quem diga que aqueles que praticam A Arte da Magia, devem possuir inúmeros aparatos pré-estabelecidos, normalmente ligados a sua própria Arte, seja em qualquer de suas formas e expressões. Há quem diga que tais ferramentas são indispensáveis e que sem o seu uso o praticante ficaria limitado e até mesmo impossibilitado de fazer uso de inúmeros poderes ao seu dispor.

Este ensaio tem como objetivo divagar e expor alguns conceitos relevantes ao que chamamos de “Aparatos Mágicos” ou “Instrumentos Mágicos”.

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O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

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“Eu sou uma pedra caindo num mundo de vidro
Eu sou uma bomba acionada com uma máscara sorridente.”
(1)

 

A Primeira dúvida de um leigo ao se deparar com algum assunto relativo a magia é a de se perguntar se os praticantes daquele determinado segmento possuem ‘poderes mágicos’ e ‘o que essas pessoas são capazes de fazer’. Esse sentimento de dúvida traz à tona medos primitivos não somente do indivíduo, mas uma carga que vem sido transferida desde os primórdios da humanidade: o Medo do Desconhecido.

Tal medo reside em todas as pessoas, de uma forma ou de outra, e costuma ser expressado por inúmeros fatores, principalmente nas profundezas de seu próprio ser; visto que muitas atitudes são tomadas por alguma consequência de nossas vivências sem nem mesmo serem percebidas conscientemente por nós mesmos.

Muitos desses medos fazem parte do instinto de sobrevivência animal, pois mesmo que seja negado pela maioria da população, nós também somos animais e fazemos parte do Todo.

A ideia de ‘Poderes Mágicos’ dá-se ao fato de que sempre existiram pessoas com conhecimentos além do que a do homem preguiçoso comum, que nada sabe, a não ser aquilo que lhe é dado e que o mesmo recebe sem nem mesmo contestar ou tentar averiguar a própria origem. Continuar lendo