As Visões de Mundo de um Andarilho da Arte sem Nome

As Visões de Mundo de um Andarilho da Arte sem Nome


(Art by Valin Mattheis: Facebook Page and Strange Gods Website)

Queime Brilhante e eterno:
O coração da Estrela no coração da terra,
O coração da terra no coração do homem!
(1)

 

Muitas vezes, enquanto Caminho por algum de meus trajetos comuns ou quando decido subitamente mudar a direção ou experimentar outros caminhos, sempre me pego observando as sutilezas de toda uma poesia aparente na existência. Longe de ser apenas algum tipo de reflexão ou devaneio acerca do tema que começo abordando nesta postagem (mas também sendo tudo isso); também pretendo apontar a importância que enxergo nas diferentes visões de mundo quando falamos de Bruxaria.

A priori, pode parecer que se trata apenas de um ponto de vista (e realmente, no final, poderia mesmo ser apenas isso), mas é sábio notar as sutilezas entre as diferentes visões e de como podemos notar algumas diferenças entre aqueles capazes de “enxergar além” das pessoas que enxergam apenas o que lhes apontam ou que param de ver aquilo que lhes é proibido, seja por uma moral, convenção social ou mesmo através do sacrifício da visão pessoal (subjetiva) em nome de uma realidade geral e mecânica (objetiva) que no final não passa de uma ilusão.

Bruxos enxergam o mundo de forma diferente. Porém, não vivemos apenas no mundo das ideias como a maioria das massas: nós reagimos, interagimos e vivemos de acordo com essas diferentes visões de mundo.

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A Beleza das coisas não vistas

A Beleza das coisas não vistas

A woman carries decorated human skull or "natitas", as she waits to be greeted by the priest inside the Cementerio General chapel, during the Natitas Festival celebrations, in La Paz, Bolivia, Sunday, Nov. 8, 2015. Although some natitas have been handed down through generations, many are from unnamed, abandoned graves that are cared for and decorated by faithful. They use them as amulets believing they serve as protection. The tradition marks the end of the Catholic All Saints holiday, but is not recognized by the Catholic church. (AP Photo/Juan Karita) ORG XMIT: XJK109

(Um dos crânios humanos do festival das Natitas, Bolívia) (1)

O estigma da desilusão
Confirma sua própria ilusão
E depois de tudo esse pode ser você.
(2)

Boa noite aos leitores da Nona Direção! Hoje vamos falar sobre beleza! Não, não será apenas sobre a beleza convencional ou padrão de nossa sociedade. Iremos falar da beleza que cerca a bruxaria e das formas esquecidas e ignoradas pelas pequenas mentes que cismam em  permanecer em nosso meio.

Esta é uma postagem muito simples, mas que para muitos pode ser complicada de entender. Aqueles que entendem ou sintam a poesia da linguagem dos Deuses, dos espíritos e entidades de nosso mundo, saberão exatamente do que estarei falando em algumas partes. Afinal, a poesia em si é a linguagem dos Deuses, como o vinho que faz as pedras falarem.

Todos nós temos gostos diferentes e desejos por estéticas distintas. Muitas coisas são reconhecidamente como uma beleza comum, onde a maioria concorda que seja algo belo. Tudo bem, mas e na bruxaria? quando falamos de beleza, o que realmente podemos ter em mente?
Oras, TUDO!
A existência em si é de uma beleza única. Atemporal e sem espaço. Inexistente ao mesmo tempo e que está em todas as coisas. Até aqui tudo bem, mas é aí que entramos em uma outra área mais obscura para a maioria, assim como repulsiva ou até mesmo terrível para a maioria das pessoas: É aqui que nós devemos entender a natureza dos Deuses, do mundo, da NOSSA.

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Os Vícios e os Erros modernos na Bruxaria

Os Vícios e os Erros modernos na Bruxaria

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“Não faça o que desejar – Faça o que é necessário.
Tome tudo o que você recebe – dê tudo de si mesmo.
O que eu tenho – eu seguro!
Quando tudo mais está perdido, e não até então, prepare-se para morrer com dignidade.”
(1)

Poderia haver outras formas de começar esta postagem, que embora escrita de forma espontânea, possui pensamentos e ideias não somente pessoais, mas ideias compartilhadas por inúmeros praticantes da Arte. Dentre esses praticantes que cito, boa parte não revela e nem discute sobre as próprias práticas abertamente, dando no máximo alguns vislumbres através de inspirações, algo que consideramos sagrado e divino. Alguns poucos dedicam-se a uma divulgação mais aberta, para ensinar ou viver de seu ofício, mas a maioria de nós prefere ser mais reservado. De qualquer forma, comecei a postagem com a máxima acima de um Bruxo Tradicional famoso entre aqueles que Andam o Caminho e possuem um grande respeito pela “Arte sem nome”, a qual antecede todos os conceitos modernos e “new age” na Bruxaria em si.

Irei abordar vários tópicos a respeito do que é praticado entre aqueles que possuem um Caminho mais tradicional e do que acaba ocorrendo nos meios modernos e em algumas novas religiões, como a Wicca e os reconstrucionismos mais conhecidos, pois esses influenciaram boa parte da mentalidade moderna, seja isso bom ou ruim.

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Enxergando através do Véu

Enxergando através do Véu

Enxergando atravé do Véu 1

“Flechas do sol vão penetrar a mente humana
Sophia nasce quando capturamos uma delas
Flechas do sol, elas queimam a alma e nos fazem ver
Bem fundo no labirinto: a psique, a alma”
(1)

Existem algumas concepções de que a realidade não é aquilo que parece ser. Uma dessas ideias consiste em que temos o habito de crer apenas naquilo em que nossos olhos são capazes de contemplar. Outros ainda, dizem que é aquilo que pode ser sentido e administrado pelos cinco sentidos básicos. Então, após inúmeras divagações e experiências, poderíamos citar exemplos básicos que destruiriam tal noção do que é convencionalmente chamado de ‘realidade’, como por exemplo, sonhos. Sim, sonhos. A reflexão começa a ocorrer quando dependemos do cérebro, que é algo físico, mutável, deteriorável, portanto, limitado e falho. Não estou falando da mente em si, pois a mente é como se fosse uma entidade acima de sua parte física, o cérebro.
Nosso cérebro é capaz de criar realidades através de sonhos, visões e até mesmo em antecipações ou num extremo, ele cria sua própria realidade, como acontece com aqueles que carregam alguma doença psíquica.

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A Arte da Bruxaria

A Arte da Bruxaria

A Arte da Bruxaria 1

“Uma luz negra, As almas perdidas estão suplicando
Agarrando-se ao último vislumbre de esperança”
(1)

Muitos são os sinais que levam ao Caminho. Muitos são os elementos identificados naqueles que praticam a Arte sem nome, mesmo que cada praticante seja completamente diferente, ainda assim há alguma similaridade em algum ponto de suas práticas.

Embora as diferenças entre praticantes da Arte Sábia do mundo inteiro sejam inúmeras em seus aspectos, sempre são achadas similaridades, mesmo que apenas conceitual.

É imperativo deixar claro neste Grimório da Arte sem nome, que quando falamos de ‘Bruxaria’, estamos falando da verdadeira Arte, a Inominável, dos mistérios que não dependem exclusivamente de algum Deus ou de algum grupo ou religião, principalmente grupos modernos e infantis e de pessoas que se apropriam de tais alcunhas como se fossem ‘títulos’, como se tal palavra resumisse um estereótipo de suas fantasias diárias ou contasse sobre algum conjunto de crenças em específico, que os mesmos insistem em achar que pode ser comparada ou ainda servir de exemplo para outras denominações. Não, quando falamos de bruxaria, da Arte dos Sábios, da Arte inominável, estamos falando de práticas realmente antigas e ao mesmo tempo contemporâneas. Ao paradoxo que isso possa significar, primeiramente é não confundir com o que vemos nos dias de hoje como “modernos” e “reconstrucionistas”. Não, essas pessoas apenas adaptam ao próprio conforto uma jornada que em primeiro lugar depende de que você saia de sua própria “zona de conforto” e se exponha ao perigo da real jornada. Continuar lendo

Oração aos Antepassados – Uma Invocação Luciferiana da Nona Direção

Oração aos Antepassados – Uma Invocação Luciferiana da Nona Direção

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(Tubalo Lucifer por Andrew Chumbley)

“Por tudo o que é valioso,
O sangue em minhas mãos:
É o sangue de divindades”
(1)

 

Quando teu sangue sussurrar ao teu ouvido, com uma voz que te lembrará do som do rastejar de uma serpente;

Quando o vento lhe trouxer tais sussurros como se os trouxesse do Abismo;

Quando sentires que esse Abismo, seja qual for tua máscara, reside em teu sangue e espírito pelo antigo pacto;

Quando aceitares a ideia de que o teu sangue é o mesmo dos Deuses Antigos e das forças caóticas e primitivas anteriores aos mesmos;

E finalmente, quando for capaz de sentir, sem precisar emitir palavra alguma, que o silêncio e o poder, assim como tua maldição e tua sabedoria, são tua herança e tua Marca na linhagem de Qayin e dos Anjos Caídos;

Será o dia em que teu mundo irá ruir e, teu entendimento, mesmo trazendo a sua vista todas as mentiras, lhe trará a visão da face da Luz, das Trevas e dos Caminhos.

Será quando entenderá tua origem e teus mistérios. Continuar lendo

Um pouco sobre Correntes de Poder e um exemplo de rito na Bruxaria

1 (86)

Colete o sangue de Kingu do grande mar antigo
E se aproprie das águas primordiais
Dentro de suas veias, a força do demônio flui
Alguma vez você já procurou por sua ascendência?
(1)

Talvez alguns de nossos leitores já tenham visto o termo “Correntes de Poder” em algum dado momento de suas caminhadas; outros, talvez estejam mais familiarizados e com certeza terão muitos que nem mesmo tenham algum dia conhecido tal termo.

Antes de mais nada, devemos manter em mente que em nosso mundo existem inúmeras Correntes de Poder e muitos grupos acessam poderes similares com roupagens diferentes. Muitos possuem Correntes de Poder extremamente ativas e abertas; outros, Correntes de Poder mais difíceis de serem acessadas e há ainda as que requerem treinamento e material específico para tal.

Embora existam inúmeros poderes em nosso mundo (ou que demonstrem alguma manifestação no mesmo), muitos não estão abertos e muitos passam despercebidos.
A ideia de tais correntes se baseiam em segredos e chaves para acessar certos poderes que possuem poucas entradas ou vias de acesso, bem como treinamento e capacidade para tal, sem dizer em alguma inclinação natural para este fim. Continuar lendo