Lições do Caminho Partido: A incerteza como Aliada

Lições do Caminho Partido: A incerteza como Aliada


(Pintura do artista Takato Yamamoto)

Eu fico com você agora, meu amigo
Minha língua de navalha está lambendo suas bochechas rosadas
e orelhas feridas.
Eu sussurro segredos sórdidos que não são verdadeiros, nem falsos

(1)

Tenho passado mais tempo observando as pessoas do que interagindo tanto com elas. Claro, tenho passado muito menos tempo na internet e focado em mais coisas do meu dia-a-dia e daquilo que me importa.

De certa forma, tenho ignorado cada vez mais as pessoas que me aborrecem ao invés de entrar em atrito direto e resolvido as coisas com mais calma e jeito do que com truculência, intimidação ou argumentações incisivas. Não que nada anteriormente não fosse eficaz, sempre deu certo de uma forma ou outra, mas acho que com os anos nossas prioridades mudam…e mudam muito. Agora vejo melhor do que nunca a total perda de tempo em discutir certas coisas ou de insistir em algum assunto, discussão ou problema: as coisas podem ser muito mais simples e certas coisas não valem realmente o meu esforço.

É a mesma coisa com “inimigos” (acredito que não tenha…ao menos declarado rs): não tenho inimigos, pois não dou essa honra para qualquer um. Gente que não gosta de mim? deve ter vários. Gente que quer meu mal? provavelmente tem. Mas isso não é um inimigo, é só alguém que não gosta de você. Também tem gente que não gosto – e que apenas ignoro.

Caso eu considerasse alguém como meu inimigo, eu deveria agir rapidamente, pois reconheceria que essa pessoa poderia representar algum perigo para mim.

Nomear alguém como seu inimigo é atribuir valor a essa pessoa. Gente medíocre tem muitos inimigos, gente fraca também.

Sempre vejo muitas pessoas brigando via internet por causa de assuntos completamente irrelevantes. Se importando com coisas que nem mesmo afetariam suas vidas, nem mesmo indiretamente. Logo, qual o objetivo? nenhum, apenas a discussão. E normalmente as brigas se dão pelas certezas. Isso mesmo, pelas certezas individuais.

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As Visões de Mundo de um Andarilho da Arte sem Nome

As Visões de Mundo de um Andarilho da Arte sem Nome


(Art by Valin Mattheis: Facebook Page and Strange Gods Website)

Queime Brilhante e eterno:
O coração da Estrela no coração da terra,
O coração da terra no coração do homem!
(1)

 

Muitas vezes, enquanto Caminho por algum de meus trajetos comuns ou quando decido subitamente mudar a direção ou experimentar outros caminhos, sempre me pego observando as sutilezas de toda uma poesia aparente na existência. Longe de ser apenas algum tipo de reflexão ou devaneio acerca do tema que começo abordando nesta postagem (mas também sendo tudo isso); também pretendo apontar a importância que enxergo nas diferentes visões de mundo quando falamos de Bruxaria.

A priori, pode parecer que se trata apenas de um ponto de vista (e realmente, no final, poderia mesmo ser apenas isso), mas é sábio notar as sutilezas entre as diferentes visões e de como podemos notar algumas diferenças entre aqueles capazes de “enxergar além” das pessoas que enxergam apenas o que lhes apontam ou que param de ver aquilo que lhes é proibido, seja por uma moral, convenção social ou mesmo através do sacrifício da visão pessoal (subjetiva) em nome de uma realidade geral e mecânica (objetiva) que no final não passa de uma ilusão.

Bruxos enxergam o mundo de forma diferente. Porém, não vivemos apenas no mundo das ideias como a maioria das massas: nós reagimos, interagimos e vivemos de acordo com essas diferentes visões de mundo.

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A Beleza das coisas não vistas

A Beleza das coisas não vistas

A woman carries decorated human skull or "natitas", as she waits to be greeted by the priest inside the Cementerio General chapel, during the Natitas Festival celebrations, in La Paz, Bolivia, Sunday, Nov. 8, 2015. Although some natitas have been handed down through generations, many are from unnamed, abandoned graves that are cared for and decorated by faithful. They use them as amulets believing they serve as protection. The tradition marks the end of the Catholic All Saints holiday, but is not recognized by the Catholic church. (AP Photo/Juan Karita) ORG XMIT: XJK109

(Um dos crânios humanos do festival das Natitas, Bolívia) (1)

O estigma da desilusão
Confirma sua própria ilusão
E depois de tudo esse pode ser você.
(2)

Boa noite aos leitores da Nona Direção! Hoje vamos falar sobre beleza! Não, não será apenas sobre a beleza convencional ou padrão de nossa sociedade. Iremos falar da beleza que cerca a bruxaria e das formas esquecidas e ignoradas pelas pequenas mentes que cismam em  permanecer em nosso meio.

Esta é uma postagem muito simples, mas que para muitos pode ser complicada de entender. Aqueles que entendem ou sintam a poesia da linguagem dos Deuses, dos espíritos e entidades de nosso mundo, saberão exatamente do que estarei falando em algumas partes. Afinal, a poesia em si é a linguagem dos Deuses, como o vinho que faz as pedras falarem.

Todos nós temos gostos diferentes e desejos por estéticas distintas. Muitas coisas são reconhecidamente como uma beleza comum, onde a maioria concorda que seja algo belo. Tudo bem, mas e na bruxaria? quando falamos de beleza, o que realmente podemos ter em mente?
Oras, TUDO!
A existência em si é de uma beleza única. Atemporal e sem espaço. Inexistente ao mesmo tempo e que está em todas as coisas. Até aqui tudo bem, mas é aí que entramos em uma outra área mais obscura para a maioria, assim como repulsiva ou até mesmo terrível para a maioria das pessoas: É aqui que nós devemos entender a natureza dos Deuses, do mundo, da NOSSA.

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Visão de mundo na Bruxaria: hipocrisia, medo e o politicamente correto.

Visão de mundo na Bruxaria e a hipocrisia, o medo e o politicamente correto.

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“Oh, com prazer ele vos mostraria
Do mundo e como ele o vê,
Mas como ele pode falar de algo,
Do qual não entende absolutamente nada?
Com prazer ele vos cantaria
Do amor que a tudo se entrelaça,
Porém só sobra o triste lamento,
Pois ele não vivenciou um único dia.
(1)

 

Depois de um bom tempo, estamos de volta com mais uma postagem em nosso espaço. Desta vez trago um assunto com o qual gostaria de incitar algumas reflexões naqueles que acompanham ou que acabam por se deparar com este espaço.

Este texto não é direcionado para ninguém em particular (dificilmente alguém me chama tanta atenção assim…), mas se trata de uma situação que já tenho visto ha mais de uma década e que entendo que vem de muito antes…

Quando falamos de Bruxaria, estamos falando de uma Arte extremamente versátil e sem definição. Um aglomerado de práticas mágicas encontrados em diversas culturas e cada qual com suas formas particulares. Não existe “uma” bruxaria. Não existe “bruxaria religião” e sim, religiões que se utilizam de bruxaria e de magia. Porém, não será isso o que iremos falar nesta noite de Átropos ou Morta!

Está na hora de falarmos de algo bem comum, que nós, os mais velhos, vemos o tempo todo e que merece uma certa atenção: a mentalidade dos ditos “bruxos” (entre aspas sim, pois muitos são apenas neopagãos ou adeptos da Wicca, muitos sem poder real, resumindo-se em algum tipo de “adorador”).

Muitas pessoas trazem uma criação cristã, com valores cristãos e uma forma de enxergar o mundo de forma cristã ou monoteísta (e isso inclui todas as religiões e doutrinas cristãs e monoteístas). Pois bem, o que sempre percebi, desde o final dos anos 90’s, foram pessoas que saíam dessas religiões ou famílias com o intuito de achar um “local novo” ou “diferente” para expressar sua fé. Muito interessante e até então não ha problema em querer buscar, aliás, a busca é sempre bem vinda. O problema real é a pessoa manter a mesma forma de ver o mundo.

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Diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional – Por Robert Artisson

Diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional – Por Robert Artisson

1

“Eu sou o Diabo no Inferno,
Dante poderia dizer,
Eu sou um dos treze”.
(1)

Esta é uma entrevista dada por Robert Artisson sobre as diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional. Infelizmente não sei para quem ele deu a entrevista e nem onde foi originalmente publicada. Porém, repasso a entrevista aqui no blog.
Vi esta entrevista por uma acaso, no blog Brasil Conjure, de um dos meus Kins, Kefron Primeiro. Aliás, vale a pena visitar sua página.

Não ha nenhuma intenção em falar bem ou mal deste ou daquele Caminho, apenas expor a realidade de como as coisas realmente são em sua origem. Vamos ser realistas.

Muita gente achou ruim eu escrever no último texto que Wicca só havia 2 (Gardneriana e Alexandrina), alegando que existe muito além disso. Como alguém que passou por um Coven Gardneriano, posso apenas afirmar que quem não consegue traçar seus iniciadores até Gardner (de forma direta), não é reconhecido e nem considerado wiccano pelos próprios wiccanos…não sou eu quem está dizendo, até porque não me identifico com isso mais.

De qualquer forma, deixo a entrevista abaixo, a qual vale muito a pena ler.

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Considerações pessoais aos iniciantes na Bruxaria

Considerações pessoais aos iniciantes na Bruxaria

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Por debaixo da máscara na qual você se enterrou
É preto como carvão.
Eu estou cansado de engolir o que você faz
Cada dia uma face nova
E se eu desparafusar
Sua própria identidade
Você não se perguntaria se iria restar algo de você?
(1)

Decidi escrever este texto de forma espontânea. Não preparei materiais especiais e nem tampouco várias referências para usar como base. Não, este texto será espontâneo e irá refletir minhas considerações para aqueles que começaram a andar ha pouco tempo no Caminho e para aqueles que desejam começar a andar de alguma forma. Talvez o texto sirva para aqueles que já possuem uma boa caminhada, afinal, algumas experiências pessoais podem trazer algumas reflexões a cada um de nós e acabar por nos presentear com uma pequena fagulha que, se em contato com algo inflamável, poderá acender uma chama crescente, como o sopro do Grande Dragão. Continuar lendo

Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

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São iguais o belo e o feio; andemos da névoa em meio.”
(1)

Quem nunca imaginou a figura da Bruxa com caldeirões, vassouras e um Familiar? Com alguns aparatos feito de ossos e partes de animais ou até mesmo um crânio humano?

Como não pensar no mago traçando seus círculos geométricos variados com cálculos e formas simétricas, usando uma espada ou bastão?

Da velha feiticeira com suas ervas e plantas? Com seus patuás(2) e símbolos populares?

Quem nunca viu ou ouvir falar de benzedeiras que utilizam plantas para benzer e retirar doenças e mal estares de outras pessoas, seja com arruda(3), espada de são Jorge(4) e até mesmo brasas ou óleos?

A mulher vidente que usa uma bacia com água especialmente preparada ou um espelho mágico para ter visões proféticas ou ainda o Erilaz(5) que usa suas runas com um pano próprio para seus jogos ou a runa em si para um encantamento; visões interessantes e até mesmo estereotipadas em comparação com o conhecimento popular.

Há quem diga que aqueles que praticam A Arte da Magia, devem possuir inúmeros aparatos pré-estabelecidos, normalmente ligados a sua própria Arte, seja em qualquer de suas formas e expressões. Há quem diga que tais ferramentas são indispensáveis e que sem o seu uso o praticante ficaria limitado e até mesmo impossibilitado de fazer uso de inúmeros poderes ao seu dispor.

Este ensaio tem como objetivo divagar e expor alguns conceitos relevantes ao que chamamos de “Aparatos Mágicos” ou “Instrumentos Mágicos”.

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