Amor, Guerra, Sexualidade e Escuridão: Algumas reflexões sobre Afrodite e seus domínios.

Amor, Sexualidade, Guerra e Escuridão:
Algumas reflexões sobre Afrodite e seus domínios.

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E eu com saudades de você
Como uma criança, sozinha, sonhando
Meu coração viaja para
Onde o amor já está guardado em mim
E de imagem em imagem
Vi minhas memórias de você
(1)

   Tanto nas histórias Helênicas quanto nos cultos modernos, assim como nos textos históricos, Hinos religiosos, literatura e na mente e inspiração de muitos artistas por vários séculos, Afrodite pode facilmente ser achada e reconhecida, seja na Literatura ou nos cultos modernos de nossa época.

   Sendo uma Deusa Antiga, inúmeras teorias apontam para que sua origem seja anterior aos Deuses Olímpicos, classificando a mesma como uma Titânide(2), anterior ao próprio Zeus.

   Existem outras versões de que Ela seja filha de Zeus e Hera(3), mas tal estudo não fará parte do texto atual, assim como as teorias de suas origens pré-helênicas e identificações com outras Deusas pelos próprios gregos, também não farão parte do texto de hoje.

   Este texto servirá como uma importante reflexão sobre a natureza da tão famosa Deusa do Amor, da Beleza e da Sexualidade, passando rapidamente por algumas referências a seus atributos e de como distorcemos sua imagem e atributos para que nos seja agradável e até mesmo mais aceita pela maioria, levando uma boa parte de seus ditos seguidores a ignorarem sua natureza real e complexa, que ao mesmo tempo é encantadora, sedutora, perigosa e extrema.

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Um pouco sobre Orfeu e Os Hinos Órficos

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(Orfeu diante de Hades e Perséfone, por Francois Perrier)

“Caída em nosso mundo,
A serpente do Paraíso
Senhora da Sabedoria
Nas canções de Orfeu.”
(1)

Orfeu: Herói e Poeta

Os Hinos Órficos são um conjunto de poesias devocionais atribuídos ao grande Orfeu, tido nas histórias Helênicas(2) como o maior poeta e músico que existiu.

Era dito que quando tocava sua Lira(3), os pássaros interrompiam seu voo para escutar sua música; os animais selvagens perdiam o medo e se aproximavam e as árvores se inclinavam para ouvir sua música trazida pelos ventos.

Após perder a sua amada Eurídice(4) numa tragédia, Orfeu desceu até o submundo afim de encontrar sua esposa. Convenceu Caronte(5) a transportá-lo vivo pelo Estige(6) comovendo-o com sua Lira; acalmou e adormeceu Cérbero(7) com sua música e a cada monstro e guardião que encontrava pelo caminho, conseguia passar encantando-os com sua Lira.

Quando chegou ao Deus dos mortos, o poderoso Hades, o mesmo se enfureceu por ter em seu mundo um mortal. Então Orfeu tocou sua Lira e toda a agonia de sua música comoveu a todos no submundo, inclusive o Deus dos mortos, que chorou lágrimas de ferro. Comovida, sua esposa Perséfone pediu ao marido que concedesse o desejo de Orfeu, e Hades assim o fez, sob a condição de que Orfeu não olhasse para sua amada que viria atrás de si até que a luz do dia a tocasse novamente. Continuar lendo