Alguns contos da nossa terra – Parte 2

Alguns contos da nossa terra – Parte 2

karajas
(Uma foto do povo Karajá)

O-nhan, e-îori, e-îori s-epîak
O-nhan ir~unamo, ir~unamo tukura
E-îori s-epîak, pytuna-pe berab
Berab mo-endy, ybaka-pe
(1)

 

Uma Menina chamada Mani

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       Era uma vez uma índia que teve uma filhinha chamada Mani.

    A menina era bonita e tinha a pele bem clara, diferente das outras crianças da tribo, que eram morenas.

    Assim que começou a andar, ela se juntou a outras crianças da tribo e passou a participar alegremente das brincadeiras. Todos gostavam muito dessa indiazinha de pele tão clara.

    Um dia, porém, de repente, a pequena Mani ficou muito doente. Todos se preocuparam com a sua saúde, mas ninguém sabia qual era a sua doença. Os índios fizeram tudo o que sabiam, mas não conseguiram salvá-la.

    Mani morreu. Continuar lendo

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Alguns contos da nossa terra – Parte 1

Alguns contos da nossa terra – Parte 1

anhanga-e-tupa
(Anhangá lutando contra Tupã)(1)

Anhã Aminoé,
Tapeguasupe Kurusu,
Tangará rapé
Patuá minae, Kakaju.
(2)

 

A Índia que amava a Lua

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    Muitos e muitos anos atrás, vivia Iapuna, uma jovem índia do povo Tupi.

    Ela era uma garota alegre, que gostava de passear pela floresta, de brincar com os animais, de nadar nos rios com seus irmãos. Mas, quando a noite começava a chegar, gostava de ficar sozinha, deitada na grama, admirando as estrelas, a Lua, o céu distante.

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Os Deuses da nossa terra – Um pouco sobre alguns Deuses Tupi-Guaranis

Os Deuses da nossa terra – Um pouco sobre alguns Deuses Tupi-Guaranis

Jaci
(Deusa Lua Jaci, arte de Bianca Duarte)

Abá o-ikó ‘y pupé
Taba suí ‘y pupé
Kunumim o-monhang r-apé
Kunumim o-monhang r-apé
Yby oby supé
Arara kûara-pe
(1)

Saudações aos leitoras da Nona Direção! Desta vez estou trazendo um tema que já merecia estar presente ha muito tempo: Os Deuses de nossa terra!

Inicialmente, quando pensamos nos povos indígenas, temos o habito ignorante de pensar em um só povo. Note que digo “povo” e não “tribo”, e que falo ‘”indígena” e não “índio”. Parece besteira, mas assim como o total desconhecimento de toda a nossa sociedade para com os Povos indígenas, aqueles cujo povo habita nesta terra antes de nossos ancestrais chegarem, essas palavras possuem pesos bem diferentes. Deixei lá nas notas um excelente texto de Daniel Munduruku sobre o tema e recomendo a leitura.
(2)

Existem muitas etnias indígenas e cada um possui suas próprias tradições, Deuses, espíritos e tradições. Não existe um povo indígena apenas, e sim, muitos. Como alguém que também está iniciando os estudos sobre os povos indígenas, vejo a necessidade de deixar alguns desses conceitos expostos, visto que é um elemento cultural extremamente rico e, como andarilhos desta terra sagrada, nossa obrigação é a de respeitar e de tentar manter viva a cultura dos Povos Indígenas e, a informação é o primeiro passo.

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Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

Conceitos sobre Instrumentos Mágicos e suas reais necessidades

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São iguais o belo e o feio; andemos da névoa em meio.”
(1)

Quem nunca imaginou a figura da Bruxa com caldeirões, vassouras e um Familiar? Com alguns aparatos feito de ossos e partes de animais ou até mesmo um crânio humano?

Como não pensar no mago traçando seus círculos geométricos variados com cálculos e formas simétricas, usando uma espada ou bastão?

Da velha feiticeira com suas ervas e plantas? Com seus patuás(2) e símbolos populares?

Quem nunca viu ou ouvir falar de benzedeiras que utilizam plantas para benzer e retirar doenças e mal estares de outras pessoas, seja com arruda(3), espada de são Jorge(4) e até mesmo brasas ou óleos?

A mulher vidente que usa uma bacia com água especialmente preparada ou um espelho mágico para ter visões proféticas ou ainda o Erilaz(5) que usa suas runas com um pano próprio para seus jogos ou a runa em si para um encantamento; visões interessantes e até mesmo estereotipadas em comparação com o conhecimento popular.

Há quem diga que aqueles que praticam A Arte da Magia, devem possuir inúmeros aparatos pré-estabelecidos, normalmente ligados a sua própria Arte, seja em qualquer de suas formas e expressões. Há quem diga que tais ferramentas são indispensáveis e que sem o seu uso o praticante ficaria limitado e até mesmo impossibilitado de fazer uso de inúmeros poderes ao seu dispor.

Este ensaio tem como objetivo divagar e expor alguns conceitos relevantes ao que chamamos de “Aparatos Mágicos” ou “Instrumentos Mágicos”.

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