O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

“É difícil marcar o lugar onde para o homem e começa o animal,
onde cessa a alma e começa o instinto
-onde a paixão se torna ferocidade.
É difícil marcar onde deve parar o galope do sangue nas artérias,
e a violência da dor no crânio.”
(1)

Quantas vezes não ouvimos relatos, videos e declarações de feitos mágicos que chegam a saltar os olhos? Quantos desses relatos nos lembram livros e filmes de fantasia e do quão heroico ou até mesmo harmônico tais relatos nos deixam boquiabertos?

Várias pessoas conversando com Deuses como se fossem seu vizinho da esquina; lutando contra entidades sinistras ou demoníacas como se fossem verdadeiros e poderosos guerreiros mágicos (ou algo assim); ou ainda falando com dragões e inúmeras criaturas como se fossem seu animal de estimação? Realizando teletransportes?

Pois é… a maioria dessas pessoas provavelmente ficariam paralisadas de terror se uma pessoa morta aparecesse na frente delas durante a noite, na escuridão do corredor pelo qual atravessam para ir ao quarto.

Neste texto iremos abordar sobre o medo natural e instintivo o qual estamos sujeitos e algumas possíveis formas de se trabalhar para podermos trilhar nossa caminhada sem sermos escravos desses mesmos medos.

A Primeira coisa que devemos entender é que não devemos negar nossos medos. Negar um medo é negar que existe algo a ser trabalhado, logo, não ha motivo para mudar, melhorar ou vencer algo que não existe. Portanto, se você possui medos em relação ao caminho, observe seus sentimentos e seja sincero consigo mesmo: se conhecer faz parte do aprendizado e isso nunca termina, apenas se transforma.

Admitir seus medos não te torna fraco, mas sim, é um ato inicial onde você oferece a você mesmo uma chance de se tornar mais forte, mais sábio, mais em harmonia com as forças a sua volta.

Um medo muito comum é o medo do escuro.

O escuro é uma área desconhecida, onde sua visão não somente pode falhar, mas pode revelar formas e coisas das quais sua imaginação antecipa, mesmo sem saber o que é. Ela te confunde pela falta de tato, de área, por tudo que pode ter ali que você não sabe e, não saber, é um dos piores medos e um dos mais comuns: não só conhecimento, mas do entendimento sobre algo; e poderíamos estender esse ‘medo do desconhecido, do diferente” a muitas questões sociais que envolvem as “morais” do ignorante comum: mas isso é outro assunto. Limitar-me-hei aos assuntos deste pequeno texto reflexivo.

No escuro estão criaturas que podem lhe tocar, lhe empurrar, machucar, morder, picar; estão as ameaças físicas e sobrenaturais que você mesmo desconhece e teme. Você se sente em perigo. Caso esteja num cemitério pode ser insetos, bichos, pessoas, cadáveres: só de saber que a sua volta estão várias pessoas mortas, você confunde todos os perigos misturados, porque você não sabe o que está lá, junto de você. Até mesmo dentro da sua casa: qualquer som, voz, sussurro é o suficiente pra você não saber quem está ali ou se ha alguém ali e seu instinto dispara, fazendo você procurar por iluminação ou alguém que você conhece para te fazer companhia.

Enfim, as situações são inúmeras e é bem comum as pessoas terem medo ou ao menos se sentirem desconfortáveis no escuro.

Uma boa prática é que você pare de depender de luzes elétricas e que possa fazer exercícios graduais, por exemplo, de manter as luzes de casa apagadas pela noite. Podendo começar (dependendo do quanto você tem medo ou se sente mal no escuro) por exemplo, com luz de velas. Mas não muitas. Você vai reparar que sua visão irá adaptar-se e que em pouco tempo ficará confortável. Caso você seja do tipo de pessoa que dorme sempre com alguma luz da casa acesa (como do banheiro ou da cozinha), você pode começar apagando essas luzes e começar a analisar o que você sente nessas noites ou se consegue dormir normalmente. Deixar um ponto de luz acesa é somente um habito, provavelmente pego de seus pais ou dos hábitos de sua casa. Retire-o. É um bom lugar para começar.

Durante esse tempo, analise o que você sente. Observe sua casa e os aposentos em completa escuridão. Veja a diferença que sua casa pode ter de uma forma que você nunca realmente sentou e teve coragem de observar. Repare que sua visão irá aguçar e aos poucos não irá parecer tão escuro quanto você pensa.

Começamos com o escuro, pois acredito que seja extremamente importante para quem pretende se aventurar com magia, espíritos, demônios, Deuses ou qualquer que seja o Caminho oculto, sinistro, místico ou espiritual de qualquer natureza, principalmente se for com coisas mais sombrias.

Outro ponto importante são os seus sonhos. É comum ouvir do pessoal que começa a se aventurar em certas experiencias se queixar de que teve um grande aumento de pesadelos. A maioria dos pesadelos consistem em coisas que existem e/ou que fazem parte do caminho, mas que não sabemos lidar. Medos e situações aterrorizantes das quais não estamos acostumados a lidar: mas que agora teremos, afinal, se você quer chamar seus ancestrais, eles não vão aparecer de branco nos seus sonhos com uma cesta de frutas e uma coroa de louro na cabeça dizendo que está tudo bem. Trabalhar ou buscar por conhecimentos de gente morta provavelmente vai trazer sonhos e visões de gente morta: e muitas delas podem estar mal (ou aparentarem estar mal) ou trazer visões em contextos que podem parecer aterrorizantes para um iniciante: como da sua falecida mãe/avó aparecer no sonho usando roupas sombrias, num ambiente frio ou macabro, segurando a cabeça decepada e em decomposição de uma amiga ou amigo seu. O olhar do seu parente, sem piedade ou macabro, junto da cena, é algo que pode fazer você acordar com o coração na boca ou até chorando. Aí você vai dizer que teve um “pesadelo horrível” e provavelmente não vai parar para analisar qual a mensagem que aquele parente querido estava te trazendo: poderia ser uma amizade falsa e prejudicial e/ou uma proteção contra aquela pessoa; um sinal de que aquela pessoa poderia estar passando por problemas gravíssimos…tudo dependeria da sua relação com todos os envolvidos, dos detalhes, expressões, sinais e tudo que envolvesse você e a visita recebida. Caso o medo, a ideia de um “pesadelo” se mantiver, provavelmente você não conseguiria distinguir e nem sentir de verdade o que realmente ocorreu no sonho, pois sua atenção estava focada no terror que você sentiu, nos seus medos, ao invés do significado da mensagem.

Com o tempo e prática, espera-se que esses medos sejam explorados e perdidos e não evitados.

A ideia é que você busque exatamente pelas coisas das quais você teme, justamente para enfrentá-las, mas não como algo para se matar ou brigar, mas para entender, pois muitas dessas coisas farão parte da sua vida.

O corajoso não é aquele que não sente medo: mas aquele que o sente e que consegue lidar com esse sentimento e agir de acordo com sua vontade ou necessidade.

O instinto é algo que funciona de forma natural e é muito bom estarmos em sintonia com esses instintos. Caso você acabe lidando com forças mais primitivas ou antigas, como demônios ou seres que nunca foram humanos, dependendo da natureza desses seres, o seu instinto é o primeiro a disparar quando eles adentram o local onde você está ou quando você adentra o local onde eles estão. Poderia despertar, por exemplo, um instinto alerta de que ha algum predador pronto pra te atacar: a reação natural das pessoas é sair do local ou até mesmo fazer isso correndo. O ideal é sabermos ouvir nossos instintos, mas também termos o controle do que estamos fazendo.

Com o tempo de prática, você vai perceber que não somente parou de temer essas forças mais sombrias, mas que também vai entender que elas fazem parte de você e de tudo, assim como tudo está interligado e que não ha separação. Muito provável que algumas pessoas consigam aliados dentro dessas forças sombrias e mais obscuras. Principalmente se essas pessoas já superaram o grande preconceito sobre o bem e o mal (que para a maioria de nós, não existe).

Uma ótima prática é você anotar os seus sonhos, mesmo que sejam pesadelos. Com o tempo, sempre que for capaz, tentar manter alguma consciência enquanto estiver sonhando, enfrentando seus medos e indo sempre além do que você está acostumado.

Conheci gente que reclama de pesadelos repetitivos, com espíritos, parentes ou entidades que sempre aparecem de forma macabra ou sombria. Sempre pergunto nesses casos “você já parou alguma vez pra perguntar o que ele/ela quer?”. A resposta sempre é um “não” ou “não dá, sempre fico com medo”. Pois bem, o medo é do desconhecido, a partir do momento que você pergunta, indaga, observa, vai atrás, a coisa pode mudar de forma: e é aí uma das coisas que você pode sempre aplicar no seu caminho. Sempre lembrar que se você não conhece,  você pode/deve conhecer.

Com o tempo, sonhar com gente morta saindo do chão com apenas metade da cabeça ou até no máximo com os ombros à mostra, vindo todos na sua direção e olhando todos nos seus olhos de forma tensa, como se deslizassem por dentro da terra, te cercando, não será mais um pesadelo (passei por isso no início). Pois você vai acabar entendendo que são apenas pessoas mortas e você vai estar aberto pro que eles podem te mostrar ou pode acabar fazendo um ato simples como um “estou ouvindo” e mudar completamente aquele medo irracional que te apertava o peito por noites e noites.

Quaisquer que sejam os seus medos, teste. Entenda-os. Vá até seu limite e transcenda-o.

Saber de forma racional não elimina o seu medo, mas pelo menos te dá a consciência de que você sabe o que trabalhar e explorar. Da mesma forma que alguém que decide ser um ateísta por causa de uma determinada lógica não vai estar livre dos condicionamentos religiosos da sua criação e que assim que entrar numa igreja vai sentir aquela mistura de sensações (incluindo medo e respeito).

O conhecimento possibilita a consciência, mas a mudança vem apenas através da prática.

Com o tempo você vai ver que muito da sua vida e visão de mundo acaba mudando bastante: pois sem você ter consciência, muitos dos seus medos são gatilhos para inúmeras atitudes de auto sabotagem. Aí, aos poucos, você sai dos medos objetivos e sobrenaturais e começa a entrar nos medos subjetivos mais profundos, daqueles que são complicados inclusive para se descobrir. Mas isso é muito além do que estamos falando aqui – mas que também faz parte inerente do Caminho, principalmente para a torca de pele, como as serpentes.

Aconselho a realizar, vez ou outra, um Utesita – rituais ou práticas onde você permanece a noite toda fora, sozinho, em algum local com natureza, sem iluminação artificial e melhor ainda se for afastado do som e barulho das cidades.

Uma noite assim, pode ter certeza, pode e vai te trazer MUITA coisa pra se trabalhar. Muitos medos, muitas sensações e pensamentos conflituosos; principalmente pra quem é muito urbano. Os sons da natureza, principalmente dos animais e seres que habitam o escuro é um prato cheio para se trabalhar e explorar: principalmente coisas de você mesmo.

Uma situação que posso usar para ilustrar a ideia é algo que se passou comigo ha poucos anos: estava em casa, fim de semana, numa tarde calma, deitei e comecei a cochilar lentamente. Antes de dormir, em estado de vigília (nem acordado e nem dormindo), eu pisquei o olho e estava na minha casa, mas estava coberta de ruínas, como se tivesse caído pro subsolo e tinha água passando pelos meus pés e um filete de luz que vinha pelas pedras e deixava a visão na penumbra. Tudo era nítido para os sentidos, até a umidade do ar e a água correndo pelos meus pés. Uma criatura apareceu na minha frente. Cabelo desgrenhado e grosso até as pernas, olhos de brilho vermelhos no escuro, braços desproporcionais, estava curvada e os dedos compunham garras longas… a criatura bufava e nitidamente dava para ver a respiração ofegante de raiva. Eu apenas observava calmamente qual reação a criatura ia ter. Ela avançou em mim gritando com um som bestial com os dentes afiados à mostra e suas garras direcionadas ao meu pescoço. Eu calmamente esquivei no último momento e girei o corpo empurrando a criatura pelas costas com força. Ela caiu no chão e rolou pela água e pelas pedras. Ela levantou com os olhos arregalados não entendendo o que tinha ocorrido e então eu fingi que iria avançar rosnando e saiu um som de rosnado de lobo, só que mais grave e a criatura pôs as mãos na frente como se fosse se proteger gritando e sumiu. Eu abri os olhos dando uma risadinha e estava no meu quarto. Até hoje não sei o que era. Sei que era muito hostil e que nunca mais voltou.
(2)

Isso ocorreu em estado de vigília e pode ser muitas coisas ao mesmo tempo em que pode ser nada. O importante pra mim, seja o que for, é que eu lidei com a situação e acabei aprendendo um pouco mais de mim mesmo.

Já passei sufoco e medos que eram reais, mas que hoje não são realmente problema algum e pra falar vem a verdade, hoje em dia são, normalmente, soluções.

Quando você olha demais para o abismo, você começa a entendê-lo.

Não pare no seu caminho só porque você tem medo. Vá atrás daquilo que você não entende. Vá atrás daquilo que você teme. Daquilo que você acha que conhece, mas como você tem medo, você evita. Conheça. Sinta. Não negue aquilo que você é, pois isso pode fazer você não se tornar aquilo que você poderia ser.

O Caminho não está a sua frente para suprir suas carências emocionais, muito menos os Espíritos, entidades ou os Deuses: ninguém fará nada de graça pra você, muito menos por caridade, bondade ou amor incondicional. Ou você aprende a andar com as próprias pernas ou permanece preso em ilusões pelo caminho.

Saia da sua zona de conforto, pois o Caminho não foi feito para ser seguido do conforto da sua casa e das suas ideias cristalizadas.

Alguns Caminhos são mais espinhosos do que outros, mas não se iluda: todos os Caminhos de transformação verdadeira vão te fazer sangrar e te fazer morrer, até que a sabedoria descenda.

Seja sempre sincero com seus próprios sentimentos e pensamentos; saiba se desafiar, porque se você adentra o Caminho e não tem coragem para se desafiar, o Diabo vai fazer isso por você da forma que ele achar melhor: e você não terá controle algum sobre isso.

Bênçãos e Maldições!
FFF

 

“Eu conheço este, o décimo segundo:
Se eu vejo um cadáver balançando de uma corda alta numa árvore,
Então Eu entalho e Eu pinto as Runas,
Então o homem vem para baixo e fala comigo.”

Notas:

(1) Alvarez de Azevedo; Macário, Noite na Taverna;

(2) Não era necessário colocar o relato aqui, mas como tinha prometido para algumas pessoas curiosas, acabei usando para ilustrar;

(3) Verso 157 do Havamál, na sequência dos feitiços que Odin possui conhecimento.

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8 Respostas para “O Medo do Sobrenatural: o amadurecimento das ideias na prática

  1. Gostei muito do texto principalmente no final quando falou que o diabo nos desafia da pior forma quando não o fazemos nós mesmos. Buscamos Caminhos de Ordálias (alguns por instinto outros por curiosidade) as vezes sem esperar ou imaginar o quanto isso vai transformar nossas vidas e essas transformações requerem sempre nossa atenção, suor, lágrimas e sangue… No início do meu caminho eu tinha muito medo de aracnídeos e animais peçonhentos, eu tinha muitos pesadelos com isso até que uma colega no caminho disse para que eu buscasse esse medo e foi o que eu fiz; tirei várias fotinhas com uma cobra no pescoço para divulgar um projeto de preservação desses animais aqui na minha cidade, acompanhado por um biólogo (claro) mas de qualquer forma foi a quebra de um tabú. Hoje eu já não tenho mais a visão de antes, o medo instintivo continua quando eu entro na mata, por exemplo, mas agora vejo de outra forma, além da minha “proteção mágica” (como queira chamar), existe uma visão de que compreenderei da melhor forma o que tiver de acontecer… Enfim, é bem mais profundo do que palavras mas resolvi deixar esse exemplo. (Ainda busco contato com esses animais)

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá Moisés!
      Agradeço pelo comentário e por dividir sua experiência!
      Sim…é bem complicado passar pelas ordálias e elas continuam nos surpreendendo com coisas que não enxergamos em nós mesmos.
      Mas vamos sempre pra frente tentando manter a calma que podemos ir a qualquer lugar 😉
      abraços!

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  2. Muito bom o texto, sobre tornar os sonhos mais conscientes eu aprendi uma técnica há uns três anos que me ajuda bastante. Consiste em, quando estivermos acordados, duvidarmos da realidade material que estamos inseridos no momento. Tipo, tocar nas paredes e ver que elas não se movem, puxar o próprio dedo, pisar forte e sentir o chão… Etc. Esse hábito de contato com o material pode ser levado aos sonhos com o tempo.

    Sobre sonhos repetitivos, quando não se refere a alguém tentando entrar em contato, pela perspectiva junguiana é provável que seja um problema decorrente que ainda não foi solucionado e o sonho obtém mensagens importantes sobre o que está acontecendo no inconsciente. Eu trabalho com a interpretação de sonhos a partir do próprio dorminhoco, se você é você no sonho essa é a sua parte consciente manifesta, se vc vê outras pessoas no sonho, geralmente, aquilo que a outra pessoa representa para você é uma persona que existe em sua mente inconsciente. Sonhava muito com meu irmão, por exemplo, quando estava lutando contra minha irresponsabilidade, meu irmão mais velho é muito irresponsável a meu ver, e isso era a manifestação do meu “Eu irresponsável” no meu sonho. Depois de compreender isso os sonhos com ele terminaram e eu pude aceitar parte da minha irresponsabilidade (que as vezes é só eu querendo deitar na grama e olhar as nuvens e filosofar) como parte de mim. Até pq faz parte da idade e temos que viver nossas fases para compreender mais profundamente. Enfim, falei demais já. Ksksksk

    Obrigado pelo texto, ajudou bastante.
    Abraços e beijos fraternos! Bençãos e maldições!

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá Erwin!
      Bom ver você novamente por aqui.
      Realmente, sonhos são muito pessoais e para cada pessoa temos significados diferentes para sonhos similares.
      Acho muito bom quando encontramos pessoas que saibam sonhar e que experimentam muitos dos sonhos lúcidos.
      Ficar reparando detalhes em cada sonho é de fato um ótimo treinamento para a percepção e também para a própria realidade pessoal!
      Não esquente, falou demais não, agradeço pelas palavras e por comentar!
      Abraços e beijos! Bênçãos e Maldições 🙂

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  3. Primeiramente, parabéns por esse texto incrível e necessário! Eu acredito muito que todas as tuas palavras se aplicam a diversos contextos, a diferentes magistas ou pessoas em geral que trabalham com o ”sobrenatural” ou com o imaterial, quaisquer que seja a nomenclatura. Eu faço parte do caminho mágico a anos, com indas e vindas, e nem sempre pude treinar a prática como gostaria. Porém, estou a mais de 10 anos em meio aos livros, a velas acesas, a círculos e a enfrentamentos no meio mágico. Gosto de estudar e absorver todas as vertentes de conhecimento do oculto, eu me coloco como uma pessoa que gosta de experienciar e absorver muitos caminhos. Porém, venho refletindo muito sobre os ditos ‘medos’. Como uma pessoa que estuda muito questões sociais, vejo que há um resquício de construções sociais muito ligadas ao judaico-cristão, ainda que muitas pessoas nem tenham praticado em si um cristianismo mais radical. Porém, vejo que essas construções fazem parte da mentalidade de muitos de nós, desde mais novos, mas que vamos abandonando aos poucos. Pessoalmente, sempre amei o obscuro, o terror e o oculto. O medo de escuro foi algo real, que eu tive que passar em minha vida, mas que consegui enfrentar esse medo com a ajuda de uma divindade específica, que me deu um suporte, não de maneira delicada, mas de uma maneira combativa. E fico me perguntando, por sempre amar o obscuro, no final do dia, porque eu me comportava de uma maneira que parecia odiar todas as maldições e escuridões se no fim, esse é o lado que sempre admirei. Então tive que enfrentar essas construções aos pouquinhos. Você comentou sobre ir para lugares longe das cidades, longe do que estamos acostumados, e no dia a dia temos que enfrentar violências materiais que nos apavoram mas que não deixamos atrapalhar nosso cotidiano, então porque não enfrentar nossos medos e essas violências internas que nos prejudicam no nosso crescimento no ocultismo? Então lembro que em um dia de Samhain, eu e uma companheira fomos para uma floresta, uma pequena floresta no meu bairro, na escuridão da noite, pós-meia noite. Nós duas, em frente a abertura de árvores, ficamos receosas – ainda que pratiquemos a magia a muito tempo! – mas enfrentamos, entramos em meio a escuridão, absorvendo e sentindo cada receio, para no final, no coração do local, olharmos a lua cheia maravilhosa acima das nossas cabeças! O que tu falou é muito real… Não ignorar o medo, mas abraçá-lo e entendê-lo. Estive afastada do meu caminho na bruxaria, por motivos acadêmicos, porém esse semestre, voltei quase como que um empurrão, e estou fazendo um encantamento que leva dias. Porém, novamente veio em minha mente o medo do ”certo” e ”errado”. Tem sido uma auto-reflexão muito forte, lembrar que isso é relativo, e resgatar quem eu verdadeiramente sou, ignorando todas as premissas e construções que possam me bloquear.
    Muito obrigado por teu texto, como sempre esse blog é um conforto, em meio a tantas informações banalizadas sobre a bruxaria. Gosto da tua seriedade e dedicação. Abraços, bençãos e maldições – usando tuas palavras.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Primeiramente devo agradecer pelo conhecimento rúnico propagado pelo senhor. Me auxílio muito durante o inicio da minha jornada como buscador, apesar de eu continuar ser um aprendiz vagante com muito a aprender.

    Os medos são vitais eu tinha muitos deles nesse últimos meses consegui trabalhar muitos deles. E percebi muitas mudanças interiores e exteriores, mas anda continuo com um mero erilaz ainda em aprendizado, durante algum tempo tive grande dificuldade em aceitar meu imenso passado, hoje o assumo completamente. Sou grato pelo ensino e compreensões das runas.

    Graças a isso pude notar o imenso poder residi nelas na forma bruta e interior e que muito podem ser utilizado, mas ainda tenho muito a aprender no caminho. A parte mais difícil do buscador e conhecer a si e controlar suas próprias energias, e por fim utilizar para seus diversos fins.

    Apesar de seguirmos caminhos completamente diferentes em ramos de conhecimento e do próprio caminho em si. Agradeço vosso em ensino

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá Rafa!
      Eu quem agradeço pelas palavras e por ter escrito algo que lhe foi útil na caminhada da vida.
      Estamos sempre em transformação, sempre em aprendizado e lapidação: trocar de pele ocorre diversas vezes e acredito que continue até a Apoteose…quem sabe além também?
      Agradeço mais uma vez,
      Bênçãos e Maldições no seu Caminho!
      abs

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