O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

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“Eu sou uma pedra caindo num mundo de vidro
Eu sou uma bomba acionada com uma máscara sorridente.”
(1)

 

A Primeira dúvida de um leigo ao se deparar com algum assunto relativo a magia é a de se perguntar se os praticantes daquele determinado segmento possuem ‘poderes mágicos’ e ‘o que essas pessoas são capazes de fazer’. Esse sentimento de dúvida traz à tona medos primitivos não somente do indivíduo, mas uma carga que vem sido transferida desde os primórdios da humanidade: o Medo do Desconhecido.

Tal medo reside em todas as pessoas, de uma forma ou de outra, e costuma ser expressado por inúmeros fatores, principalmente nas profundezas de seu próprio ser; visto que muitas atitudes são tomadas por alguma consequência de nossas vivências sem nem mesmo serem percebidas conscientemente por nós mesmos.

Muitos desses medos fazem parte do instinto de sobrevivência animal, pois mesmo que seja negado pela maioria da população, nós também somos animais e fazemos parte do Todo.

A ideia de ‘Poderes Mágicos’ dá-se ao fato de que sempre existiram pessoas com conhecimentos além do que a do homem preguiçoso comum, que nada sabe, a não ser aquilo que lhe é dado e que o mesmo recebe sem nem mesmo contestar ou tentar averiguar a própria origem.

Com o avanço da ciência e pelo fato dos conhecimentos estarem em sua maioria a disposição da população, esperava-se que ao menos a mente das pessoas de nossa sociedade pudessem ter sido iluminadas com os raios de sol do conhecimento. Porém, o que ocorre é simplesmente a pior das hipóteses: NADA.

Quando digo nada, não é pelo fato da população ter acesso a informações, mas sim, pelo fato de que isso não fez a menor diferença para a mesma: as pessoas ainda agem da mesma forma e tais conhecimentos, que serviriam para abrir suas mentes e fazê-las pensar não apenas nas respostas corretas, mas simplesmente serem capazes de indagar as perguntas certas, se transformam apenas em assuntos relativos a fofocas e conversas vazias de seu cotidiano, como alguma novela ou um BBB.

Atualmente, tal ociosidade tem sido as redes sociais, usadas apenas para autopromoção e/ou autoafirmação, sem contribuir em nada e nem mesmo sendo capaz de absorver qualquer conhecimento que seja de serventia para seu próprio desenvolvimento. A Leitura continua escassa e a pesquisa ainda se encontra em uma camada completamente superficial e meramente esquecida após ser lida. A procura pela Ascensão (seja qual for) se limita ao máximo a de se seguir algum pastor vigarista , como se fosse uma ovelha doando a própria lã no auge do inverno para alguém que já possui uma vasta coleção de casacos de pele.

A ideia de Poderes Mágicos nos leva aos pensamentos sobre feitos impossíveis ou não entendidos pelos outros; ou ainda, capacidades sobrenaturais limitadas a algum numero de indivíduos, seja por um motivo ou por outro. De qualquer forma, tal julgamento não se demonstra errado no final das contas, pois aqueles que trabalham com magia, sabem das diferenças que ocorrem ao longo do tempo e também sabem que a mente deve ser aberta cada vez mais e, a cada passo, vislumbrar que o universo é maior do que se achava a princípio, chegando a conclusão lógica de que “se há muito mais do que se conhecia, menos se sabe sobre o Todo”.

Poder sempre fora algo procurado e desejado entre inúmeras pessoas: hoje em dia resume-se a poder aquisitivo e de influência, o que na realidade não significa muito para o Sábio, mas parece ser o ideal dos mundanos. Talvez a ilusão de ‘ser mais’ ou ‘poder mais’ já esteja impregnado na alma e nas ideias das pessoas de nossa sociedade, sem pensar em nada além do tal conforto baseado em ter poder aquisitivo ou fama, seja no nível que for.

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As urgências e metas das pessoas num geral são sempre os mesmos objetivos vazios e completamente mundanos. Alguma consciência a respeito dos desejos vazios podem ser encontrados, mas apenas momentâneos, sem objetividade ou intenção de mudança, mais aproximado a um conformismo e a uma desculpa esfarrapada para se continuar a manter o mesmo pensamento e linha de raciocínio.

Já tem um tempo em que um colega de trabalho, em uma conversa, me expressou a vontade de trocar de carro e o desejo de ter um ‘carro grande’. Em meio a conversa ele me perguntou por que eu não possuía um veículo e qual era o motivo de eu não adquirir um, visto que financeiramente seria possível. Minha resposta o deixou intrigado, pois o autor que vos fala simplesmente não possui tal desejo e nem mesmo possui conhecimentos avançados sobre carros, visto que é algo inútil de se sustentar. Disse-lhe que provavelmente num futuro próximo teria que ter um veículo, tanto para algumas emergências quanto para urgências diárias, mas deixei claro que preferiria um veículo que além de não chamar a atenção, fosse simplesmente prático e que cumprisse com seu papel: ir e vir; facilitar minha locomoção ou a de outras pessoas ou seres. Disse-lhe que ‘carro grande’ era desperdício de espaço e de dinheiro, assim como ‘carros velozes’ ou ‘carros caros’, visto que as contas para manter algo do gênero chega a ser abusivo, sem falar no uso inútil em ambos os casos e na falta de praticidade; sem falar na atenção indesejada: nesses casos, tais carros não trazem benefício algum e de forma resumida, ‘carro não é investimento’, uma vez que ao sair da concessionária, seu valor abaixa, assim também ocorre a cada mês que você o possui: ele vale menos. Disse-lhe ainda: “caso deseje investir em alguma coisa, faça-o com imóveis, pois sempre aumentam o valor e lhe trazem uma segurança financeira real, seja para revender ou para morar”. Ele me fitou e disse-me que no Seicho-no-ie(2), o qual frequentava, ensinava justamente isso: o desapego aos bens materiais e a valorização de outros assuntos e que eu possuía isso de forma natural, mas que o mesmo tinha dificuldades em lidar com seus desejos materiais. Visto tal ideia, penso sobre o quão esse meu colega realmente valoriza tais assuntos, visto que o mesmo possui alguma consciência do mesmo, mas não muda em nada suas atitudes. A conclusão é óbvia: mesmo que as pessoas comuns tentem seguir alguma filosofia ou ensinamento, seja algum desenvolvimento espiritual ou doutrina cujo objetivo é enxergar através do véu do modo de vida mundano e comum, com seus ideias de felicidade projetados e vendidos igualmente para as mentes vazias e inúteis; pouquíssimas pessoas terão a capacidade de realmente se dedicar a tal caminho e de colocar no próprio dia-a-dia em prática certas lições que apenas os que trilha O Caminho poderiam lidar. A Maioria se isenta e pratica aquela velha máxima conhecida por todos: faça o que eu falo, não o que eu faço.

Infelizmente, essa situação não se aplica apenas aos de conceitos limitados e a caricatura do homem comum, mas também o de pessoas ligadas ao ocultismo, magia e a segmentos que deveriam ser transgressores ou revolucionários. Vemos no dia-a-dia que nas redes sociais é mais importante ‘parecer’ do que ‘ser’ alguma coisa de verdade, visto que existem milhares de “bruxos”, “satanistas”, “magos”, “ocultistas” etc, postando ideias e tópicos, discutindo sobre inúmeros fatores e criticando produtores de conteúdo de diversas formas, sem nem mesmo causarem alguma mudança em suas próprias vidas. Aliás, vamos mais longe: a própria atitude perante a sociedade, sua moral, ética e leis, é a mesma de qualquer ovelha que segue cegamente e que ‘dança conforme a música’, tentando ao máximo estar em equilíbrio com as leis e com a sociedade e seu pensamento mesquinho, afim de agradar os outros para que possa ser aceito pela mesma. Vejo pessoas que se dizem ligadas a Bruxaria criando postagens para denunciar aqueles que fazem uso de sacrifício animal, sendo que é uma prática tradicional e extremamente antiga; vejo Satanistas e Luciferianistas agindo como se a única diferença entre o deus da igreja e o deles fossem a forma e o nome! Pedem ‘perdão’, não se acham ‘dignos’ de alguma coisa, pedem ‘misericórdia pela sua alma’ a Lúcifer ou Satan, como se fossem apenas uma forma diferente do deus da igreja ou do seu jesus. Vejo bruxos propagando valores Kardecistas de “lei do retorno”, “evolução espiritual” ou ainda achando que todos estão sob a “regra” da tal “Lei Tríplice” criada por Gardner para sua popular ‘nova religião’(3).

Vejo “sacerdotes” que não possuem realmente ofício algum, se limitando a oferendas de incenso uma vêz na semana/mês, por 20 minutos, e se acham sacerdotes de Deuses que inclusive pertencem a panteões diferentes…

Será que o destino dos valores e conhecimentos que ficam cada vez mais ao alcance de todos é simplesmente se tornar mais um assunto vazio, como jogar conversa fora, assim como novelas e programas de televisão fúteis? Parece que sim.

 

Famulus

E onde fica o Poder do Bruxo?

Exatamente onde sempre esteve: com ele.

Por mais que os valores e costumes sejam mutáveis, o Bruxo continua sempre sendo o transgressor das leis que regem o homem comum; ele é a escolha que reside no meio da encruzilhada onde ladram os cães de Hekate; é a Legião dos mortos que dormem abaixo dos ossos da terra; O bruxo é aquele que usa aquilo que está ao seu alcance para proporcionar mudanças para si e para os que estão a sua volta, usando o seu próprio conhecimento, sendo sua “moral” sua visão de mundo; sua “ética” sua forma de agir, o seu “certo e erado” seus próprios valores e, tudo isso, não sendo algum tipo de regra que poderia ser quebrado ou transpassado de acordo com suas próprias necessidades.

Não é difícil de se perceber. Apenas observe algum dito “pagão/bruxo/satanista/etc” que você conheça: veja se o mesmo mantém atitudes diferentes perante os problemas e conflitos do dia-a-dia; se o mesmo realmente se dedica ao que se propõe do que fazer um pequeno ritual uma vez no mês/semana e se dizer um sacerdote; se quando ameaçado por terceiros se terá uma atitude que não remonte a tal “justiça de deus” ou a apelação para “karma” com o intuito de permanecer parado e sem atitude alguma. A Maioria das pessoas que se dizem de algum desses meios agem de forma similar a qualquer outro mundano ou pessoa comum, mudando apenas sua atitude perante as redes sociais, afinal, pode-se ser o que quiser nesses locais: sua imaginação é o limite. Diversas “Ordens” e “irmandades” vazias, sem conhecimento real e com taxas altas que rivalizariam com as igrejas protestantes, não fosse a quantidade de fiéis; “Mestres” que não entendem sobre aquilo que pegam, que não sabem escrever com um português minimamente correto e por aí vai…o pior de tudo é que essas pessoas conseguem “seguidores”, o que me leva a conclusão de que não há a menor diferença entre essas pessoas e um fiel de uma igreja evangélica que da o cartão de crédito para o pastor e que repete suas ideias para terceiros como se fossem verdades absolutas.

Nada justifica a um “mestre” a cobrar Mil reais a uma simples filiação em uma “Ordem”.
Se algum desses “fiéis” pesquisassem sobre as origens duvidosas de tais ordens e grupos, veriam que não se passa de um golpe da mais baixa estirpe, mas assim como nas igrejas evangélicas, com vídeos mostrando seus pastores discutindo e planejando como conseguir mais dinheiro das pessoas, os mesmos simplesmente ignoram e se convencem que é algum tipo de mentira tentando acabar com a imagem de seu “pastor abençoado”.

Em sua maioria só vemos pessoas iguais, com roupas diferentes.

Mudança é algo que exige muito de alguém e todas essas pessoas dizem desejar alguma mudança e em seu desespero decidem ‘parecer’ diferentes, achando que se afirmarem essa tal diferença, em algum momento se tornará verdade…doce (e inútil) ilusão.

Um bruxo vive sua prática: seus valores não existem somente no momento de seus ritos, mas no seu dia-a-dia; naquele momento em que todos baixariam as cabeças o bruxo a mantém erguida e não deixa que passem por cima de si, não importa se é seu chefe ou algum estranho: o bruxo não concorda com atos que julga errado para si afim de agradar os outros ou de ser aceito em algum lugar.

O Poder do bruxo tem que ser Real, tanto em realeza como em realidade: não existe “bruxo de coração”, isso foi uma mentira covarde criada para os que não possuem poder se sentirem incluídos em grupos e meios, isentando outras pessoas de serem sinceras.

Um Bruxo possui ferramentas além de palavras para serem ditas com uma vela acesa: ele entende o funcionamento das coisas e agrega valores, poderes e práticas as suas próprias afim de conhecer sempre mais, aumentando seu repertório intelectual e prático. Seja feitiços, uso de energias, conhecimento de ervas e venenos, contato com entidades e espíritos diversos, talismãs, símbolos e sigilos e qualquer outras ferramentas que poderão ser usadas no seu dia-a-dia contra ou a favor de outros ou de si mesmo, quando julgar necessário.

Um Bruxo é aquele que detém algum conhecimento advindo de transformações e de práticas; é aquele que quanto mais anda, mais sábio fica e cada vez mais maestria atinge na sua Arte, que deve ser útil para sua vida e não mera ferramenta de conforto religioso, como fazem os cristãos: esse tipo de “bruxo” nada mais é do que um cristão com roupagem diferente.

De qualquer forma, talvez seja muito cedo para julgar os praticantes dessa tal “bruxaria” que não possui utilidade além de ser um conforto como se fosse um “pai nosso” e de satanistas e luciferianistas ignorantes que nem mesmo o básico da comunicação, leitura ou conhecimento ultrapassem o acervo da Wikipédia na internet, que dirá de suas atitudes diárias e de seus comportamentos esdrúxulos nos próprios meios infestados de ignorantes e golpistas na própria rede.

A Bruxaria continua da mesma forma que sempre fora em todas as épocas de nosso mundo: nas sombras.  Assim como a Magia e o Ocultismo. O que há aos montes pela rede é apenas ‘roupagem’, não Poderes reais.

“O Bruxo é aquele que deve andar assim como os Deuses andaram sobre a terra, pois o bruxo é descendente dos mesmos; deve ele andar como se estivesse acima das águas; deve ele andar como todos os animais sobre e abaixo da terra; deve ele andar acima das nuvens e enxergar o mundo como os pássaros do céu; como as bestas marinhas nos abismos dos oceanos; deve o bruxo andar como por cima de uma pilha de cadáveres, como se fossem aspectos de sua própria ignorância vencida pelo Fogo primordial que brilha entre os chifres sagrados de Azazel.”
(4)

Delírio
Encanta você
Você está perdido
Em um pandemônio
(5)

 

a (3)

 

Notas:

(1) Trecho da música “World of Glass” da Banda Norueguesa Tristania;

(2) Religião Japonesa pautada em sincretismo e monoteísmo, criado por Masaharu Taniguchi em 1930 e atualmente espalhado por todo o mundo. No Brasil estima-se que os locais de culto ultrapassem os 6 mil e o número de fiéis em 3,5 milhões;

(3) Wicca;

(4) Citação de Adimiron Ben Theli;

(5) Trecho da música  “Morbid Reality” da Banda sueca Therion.

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2 Respostas para “O Poder do Bruxo e a Inatividade das Pessoas Mundanas

  1. Muito bom texto, elucidativo e direto!…Sigo a mesma linha de raciocínio, porém, me permita discordar de um aspecto abordado no texto:,,,Você não precisa abandonar ou negar sua iniciação espiritual, adquirida inicialmente em casa, alimentada pela religião qualquer que seja!!…Eu possuo orientação cristã, inclusive com batismo, e nela, embaso toda a minha prática de vida, com muitos acertos e erros…mas penso estar no caminho correto…Sei da história das religiões e como o homem transformou uma pedra preciosa e um meio de ligação com o astral, em algo mundano, ignóbil e imoral. Mas também sei que se você for sincero consigo mesmo em relação ao astral, poderá procurar na religião dos homens as respostas para as perguntas que não se calam, ou, como eu e muitos, procuram uma forma de sincretismo religioso que abarque diversas respostas e conteúdos e que os utiliza como um norte. O próprio Yeshua bin Youssef, preconizava que ” na casa de meu pai há várias moradas “, ou seja não é apenas uma religião que te permite o contato…existe no planeta, vários instrumentos para uma ascensão espiritual como a filosofia, a teogonia, o esoterismo real , a bruxaria milenar e responsável, o xamanismo…ou seja, muitas métricas para o mesmo objetivo. No mais, concordo em gênero e número com o que foi tão bem explanado. Saudações !

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    • Agradeço o comentário!
      Sempre é bom discordar, pois é através dos pontos de vista diferentes que enriquecemos nosso repertório.
      Não sou cristão e nem gosto dos valores do mesmo, mas reconheço que debaixo dos dogmas de imposição e submissão, existem elementos de poder escondidos, assim como em todas as religiões.
      Abs!
      Sorath111

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