Hinos para o Sol, para a Lua e para a Noite

Muitos são aqueles que voltam suas orações para o Sol e para a Lua. Muitos são aqueles que usam o Manto da Noite para realizar seus sortilégios, adorações e práticas da Arte Inominável.

Como já realizado neste espaço virtual na postagem “Um pouco sobre Orfeu e os Hinos Órficos“, onde falo sobre o grande Orfeu e um pouco sobre os Hinos que atravessaram a história e que são usados até os dias de hoje; decidi disponibilizar mais três Hinos, dessa vez, com uma inclinação especial para agradar Deuses Solares, Deusas Lunares e a própria Deusa da Noite.

Abaixo apresento as traduções de três Hinos Órficos oferecidos aos Leitores para fazerem uso da forma em que acharem mais conveniente em suas práticas, sendo o primeiro para o Sol, o segundo para a Lua e o terceiro para a Noite.

(1)(2)

Para o Sol

Fumigação de Franquincenso (ou Olíbano)

(Hino VII)

Helios_Temple_of_Athena_at_Troy_Belin,_Pergamon_Museum_280-300_BC_

Escute Titã Dourado, cujo eterno olho
Com ampla pesquisa, ilumina a todo o céu.
Auto nascido, Incansável na difusão da luz,
E para todos os olhos o espelho do deleite:
Senhor das estações do ano, com o teu carro ígneo
E corcéis saltitantes, irradiando luz de longe:
Com a tua mão direita, a fonte de luz da manhã,
E com a esquerda o Pai da noite,
Ágil e vigoroso, venerável Sol,
Ardente e brilhante em torno dos céus tu corres,
Inimigo para o perverso, mas o guia para o bom,
Do qual todos os passos propícios você preside:
Com várias fundações, Lira de Ouro, seja minha
Para encher o mundo de harmonia divina.

Pai das Eras, guia de ações prósperas,
Comandante do mundo, sustentados pelos corcéis lúcidos,
Jove imortal, todo buscador, o que Porta a Luz,
Fonte da existência, pura e de fogo brilhante,
Portador de frutas, senhor Todo-Poderoso dos anos,
Ágil e quente, o qual todo poder reverencia.
Grande olho da Natureza e o céu estrelado,
Condenado com chamas imortais para se pôr e ascender
Distribuindo justiça, o amante do fluxo,
Grande déspota do mundo, de todos o supremo.
Fiel defensor e o olho do justo,
Dos corcéis o regente, e da vida a luz:
Com o chicote da fundação quatro corcéis de fogo tu guias,
Quando no carro do dia você gloriosamente cavalga.
Propício nesses místicos labores brilhe,
E abençoe vossos suplicantes com uma vida divina.

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Para a Lua

Fumigação de Aromáticos

(Hino VIII)

Statue of Selene

Ouça, Deusa Rainha, a que difunde luz prateada,
Aquela com chifres de touro, vagando pela escuridão da noite.

Cercada de Estrelas, com largo circuito
Tocha da noite estendida, através dos céus tu cavalgas:
Feminino e masculino, com raios emprestados tu brilhas,
E agora com a Orbe Cheia, tende agora a declinar.
Mãe das Eras, Lua produtora de frutas,
De quem a orbe âmbar faz O meio-dia refletido da Noite.

Amante dos cavalos, esplêndida, Rainha da Noite,
O poder que tudo vê adornada com luz estrelada.
Amante da vigilância, inimiga das contendas,
Em paz rejubila-se, e uma vida prudente:
Justa lâmpada da noite, ornamentada e companheira,
A qual deu aos trabalhos da natureza seus destinados fins.
Rainha das estrelas, Esposa de tudo, Diana, Salve!
Ornada com um gracioso robe e um brilhante véu,
Venha, Deusa abençoada, prudente, estrelada, brilhante,
Venha, lâmpada lunar com luz pura e esplêndida,
Brilhe nestes ritos sagrados com raios prósperos,
E agradavelmente aceite esta mística oração de vosso suplicante.

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Hino Órfico para a Noite

(Hino II)

Fumigação feita com Tochas

William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_La_Nuit_(1883)

Noite, Deusa geradora, fonte de doce repouso,
De quem ambos os primeiros Deuses e homens surgiram,
Ouça, abençoada Vênus, enfeitada com luz estrelada,
No silêncio profundo do sono habita a noite de Ébano!
Sonhos e suaves causas assistem ao teu trilho obscuro,
Deleitados com longa melancolia e fiel esforço.

Dissolvendo ânsias preocupantes, a amiga do júbilo,
Com corcéis sombrios cavalgando em volta da terra.
Deusa dos fantasmas e jogos sombrios,
De quem o poder do sono divide o dia natural:
Pelo decreto do Destino, constantemente envias a luz
Para o mais profundo inferno, fora do alcance da visão mortal
Para que a terrível necessidade a qual nada resiste,
Invista no mundo com faixas adamantinas.
Esteja presente, Deusa, à oração do teu suplicante,
Desejada por todos, a quem todos igualmente reverenciam,
Abençoada, benevolente, com ajuda amigável
Disperse os temores das terríveis sombras do crepúsculo.

lira

Notas:

(1) Os três Hinos apresentados e disponibilizados foram traduzidos da obra “The Hymns of Orpheus”, Thomas Taylor, 1792, London.

(2) Todas as traduções foram realizadas e disponibilizadas por Adimiron Ben Theli.

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2 Respostas para “Hinos para o Sol, para a Lua e para a Noite

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